Arte pública de Franz Weissmann

Imagem

“Diálogo” – Na Sé, obra de 1979 foca no vazio

 

Franz Weissmann (Knittelfeld, Áustria, 1911 – Rio de Janeiro / RJ, 2005) é um dos raros nomes da arte brasileira “cuja obra logrou uma fisionomia pública, demonstrando dominar com naturalidade a escala urbana”, escreveu Sônia Salzstein no livro que leva o nome do escultor publicado em 2001 (Cosac Naify; 128 págs.; 28 cm x 23 cm; R$ 79).

Weissmann fez obras de grandes formatos expostas ao ar livre em São Paulo em locais como a Faap – Fundação Armando Alvares Penteado (r. Alagoas, 903, Higienópolis), MAM – Museu de Arte Moderna (Parque Ibirapuera), Praça da Sé, Memorial da América Latina, Parque da Luz e Centro Empresarial Itaú (estação Conceição do Metrô). O ponto em comum entre elas é o caráter geométrico.

Na obra da Faap, “Estrutura em Diagonal”, em aço, verde, de 1979, em vez de lidar com a adição de volumes, Weissmann trabalhou com o vazio. Ele recortou um retângulo, dispensou partes dele e criou formas de fitas dobradas. A obra, sem pedestal, “brota” do chão. Com três pontos de apoio, ela brinca com o equilíbrio: parece que pode despencar.

“Grande Quadrado Preto com Fita”, de 1985, do MAM, em aço, é um quadrado do qual Weissmann recortou um quadrado menor, dispensado. Com um corte, abriu o quadrado vazado e o dobrou.

Em “Diálogo”, de 1979, na Sé, duas chapas de aço vermelhas, em formato de fita, foram dobradas duas vezes cada. O foco também é no vazio do “diálogo” entre as duas formas similares dispostas próximas. A escultura do Parque da Luz, de 1985, também vermelha, é uma longa chapa de ferro, uma “fita” com sete dobras. Mais uma vez ele explorou o vazio, a impressão de leveza.

Em 1991 e 1992, Weissmann criou uma de suas duas obras para o Centro Empresarial Itaú, “Portal”, em aço, concreto armado e pintura. Segundo trecho do livro já citado, é um dos mais bem-sucedidos projetos urbanos do artista. “Trata-se de um complexo de planos coloridos sustentados por uma estrutura de 15m de altura (…) É a mais imaterial das obras públicas de Weissmann, na qual o artista logrou desprender a arquitetura do chão, invocando uma alegria matissiana de cores e espaços aéreos”.

Outra obra do MAM, em aço, vermelha, de 1975, integra a série “Cantoneiras” e é uma variante das esculturas chamadas de “Flor de Aço”. São três perfis em aço, dobrados longitudinalmente, parafusados e com as pontas apontadas para diferentes lados.

Outra escultura do Centro Empresarial Itaú (“Flor de Aço”; 1986) fica em um espelho d’água. Já a obra do Memorial da América Latina, também em aço, é “Grande Flor Tropical” (1989). Ambas são vermelhas e integram a série “Cantoneiras”.

Algumas dessas esculturas exibidas ao ar livre são de fácil acesso com o Metrô: estações Sé, Luz, Conceição e Barra Funda. Fica a dica.

|

Texto de Everaldo Fioravante publicado em 13/05/2014 no jornal ‘Metrô News’ ( www.metronews.com.br ).
Foto: Nario Barbosa

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s