Emblema de São Paulo de Rubem Valentim

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Obra de 8,5m – “Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira”

 

Rubem Valentim (Salvador / BA, 1922 – São Paulo / SP, 1991), negro de origem humilde, formou-se em Odontologia e Jornalismo, mas dedicou a vida à criação de pinturas, esculturas e gravuras. A produção dele é baseada no universo religioso baiano, no candomblé. As formas das ferramentas de culto, das estruturas dos altares e dos símbolos dos deuses (originalmente geométricas) foram combinadas e reorganizadas por ele, em linhas, triângulos, círculos e quadrados. Também fez uso criterioso das cores.

Assim, criou um repertório estético original. Segundo texto de 1992 do artista e curador Wagner Barja, Valentim “fulminou a fronteira que separa o popular da alta cultura, passou a anos-luz da crise da arte instalada no século 20 e iluminou o caminho não finito para a descoberta do novo”. Um texto de Bené Fonteles, também artista e curador, de 1997-1999, diz que Valentim “se considerava um médium sendo perseguido pelas imagens arquetípicas dos sofisticados orixás que desejavam ser recriados e perpetuados”.

A escultura “Emblema de São Paulo”, em concreto armado aparente, com 8,5m de altura, na Praça da Sé, é de autoria de Valentim, que a definiu como “Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira”. A obra integra o conjunto de 14 esculturas instaladas na praça quando ela foi reurbanizada junto à construção da estação Sé do Metrô, inaugurada em 1978.

Valentim mudou em 1957 de Salvador para o Rio de Janeiro, onde viveu até 1963. Residiu em Roma (Itália) entre 1963 e 1966 e viajou por vários países europeus. De volta ao Brasil, fixou-se em Brasília (DF). Um ano após a morte do artista, em 1992, a produção dele foi destacada em São Paulo com exposições na Pinacoteca do Estado e no Memorial da América Latina. Em 2001, a Pinacoteca realizou a mostra e publicou o livro homônimos “Artista da Luz”, organizados por Wagner Barja e Bené Fonteles, exposição apresentada também em Belo Horizonte (MG), Rio e Curitiba (PR). Valentim participou de várias bienais: nove edições da de São Paulo; Veneza (Itália, 1962); e Havana (Cuba, 1986).

A produção do artista em geral é relacionada à dos concretistas. Valentim explicou essa questão: “Nunca fui concreto. Tomei conhecimento do concretismo através de amizades pessoais com alguns dos seus integrantes. Mas logo percebi, pelo menos entre os paulistas, que o objetivo final de seu trabalho eram os jogos óticos e isso não me interessava. Meu problema sempre foi conteudístico (a impregnação mística, a tomada de consciência dos valores culturais de meu povo, o sentir brasileiro). Claro, mesmo não tendo participado do concretismo, percebi entre seus valores a ideia da estrutura que se adequava ao caráter semiótico de minha pesquisa plástica. Mas posso dizer que sempre fui um construtivo”.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 15/04/2014 no jornal ‘Metrô News’ ( http://www.metronews.com.br ).
Foto: Nario Barbosa

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