Oca e Faap apresentam Flavio de Carvalho

Obra de Flavio de Carvalho _ credito Divulgação

No MAB-Faap – Detalhe de “Retrato de Mulher”

 

A história da arte tem vários exemplos de artistas múltiplos, que exploram diferentes técnicas das artes plásticas e também se aventuram por outras áreas. No Brasil, entre os principais deles está Flavio de Carvalho (1899-1973): pintor, desenhista, performer, designer, cenógrafo, arquiteto, jornalista, escritor e teatrólogo, entre outras competências. Parte do legado dele tem exposições gratuitas na Oca e no MAB-Faap (Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado).

“Flavio de Carvalho – A Experiência como Obra”, até 22/06/2014 na Oca, tem 180 itens, como pinturas, aquarelas, figurinos e documentos. Há uma reconstrução sonora da “Experiência nº 2”, performance de 1931 na qual o artista transitou em sentido oposto aos transeuntes em uma procissão de Corpus Christi, no Centro de São Paulo, com um boné verde. O povo, enfurecido, gritou para ele se descobrir (usar o chapéu soou como desrespeito). Foi uma confusão e queriam até linchá-lo. Foi salvo pela polícia, depois preso e, em seguida, liberado. Essa experiência rendeu um livro: uma análise do comportamento das massas com base em conceitos da psicanálise.

A exposição traz ainda o famoso “New Look”, traje de verão masculino desenhado em 1956 por Flavio. Como conclusão de uma série de artigos sobre moda, ele lançou o traje tropical composto de saia, blusa de mangas curtas e folgadas, chapéu de abas largas, sandálias e meia arrastão. Com a proposta de reflexão sobre as convenções sociais, ele desfilou com o figurino pelo Centro da cidade e chocou a população. O original do traje é mostrado na Oca e no MAB-Faap há uma réplica de 1999 da blusa.

A exibição na Faap, até 13/04/2014, tem 100 peças, sendo 32 pinturas, aquarelas e nanquins. O foco é no retrato, um dos temas favoritos do artista. Há também uma maquete da Fazenda Capuava, em Valinhos (SP), local onde Flavio morou e que foi projetado por ele, e reproduções de máscaras do espetáculo teatral “O Bailado do Deus Morto”, de autoria dele.

Nascido em Amparo da Barra Mansa (RJ) em 1899, Flavio mudou-se com a família para São Paulo em 1900. Em 1911, passou a estudar em Paris e, três anos depois, na Inglaterra (engenharia civil e artes). Concluiu o curso de engenharia em 1922 e voltou para São Paulo, logo após a Semana de Arte Moderna. Participou de concursos de arquitetura – embora não tenha vencido nenhum, é autor de projetos pioneiros da arquitetura moderna no país. Em 1947, fez desenhos em que registrou a morte da própria mãe. Morreu em Valinhos em 1973.

Oca. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera, portão 3. Tel. 3105-6118. Ter. a dom., das 9h às 17h.

MAB-Faap. Rua Alagoas, 903, Higienópolis. Tel. 3662-7198. Ter. a sex., das 10h às 20h; sáb. e dom., das 13h às 17h.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 05/03/2014 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

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