Fotógrafo italiano Luigi Ghirri tem mostra no Instituto Moreira Salles

Modena_1985_Cemiterio Aldo Rossi_ blog _credito Luigi Ghirri

Cemitério Aldo Rossi (Modena / Itália), 1985

 

“Fotografar, para mim, é como observar o mundo num estado de adolescência, renovando cotidianamente a maravilha; é uma prática que inverte o adágio de Eclesiastes: nada de novo sob o sol. A fotografia parece nos recordar que não há nada de antigo sob o sol.” O raciocínio é do fotógrafo italiano Luigi Ghirri (1943-1992). A primeira grande mostra retrospectiva dele no Brasil fica em cartaz até o dia 26/01/2014 no Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo (SP), com entrada gratuita.

Na década de 1970, Ghirri contribuiu para que a fotografia ganhasse importância artística na Itália. O trabalho dele é baseado em fontes variadas, como achados do cotidiano, paisagens sublimes e também as mais banais e as arquiteturas autoral e anônima. Ele teve influências distintas, como o neorrealismo italiano, os pintores renascentistas e a fotografia norte-americana. Segundo Ghirri, o mundo é um espetáculo que o fotógrafo deve decifrar, interpretar e traduzir.

A exposição no IMS, intitulada “Pensar por Imagens. Ícones, Paisagens, Arquitetura”, traz cerca de 200 fotografias, a maior parte cópias de época, além de provas de impressão e livros de artista. A mostra foi organizada a partir de três eixos: a investigação de ícones visuais que povoam o mundo contemporâneo; uma releitura da paisagem italiana, baseada num profundo conhecimento da história da arte; e uma indagação sobre os modos de viver, habitar e perceber o espaço. A curadoria é dos italianos Francesca Fabiani, Laura Gasparini e Giuliano Sergio.

Ghirri foi topógrafo e designer gráfico antes de se tornar fotógrafo no início dos anos 1970 (no fim dessa mesma década, a produção dele começou a ser conhecida no exterior). Figura fundamental da cena artística italiana, foi redescoberto e consagrado no mundo todo apenas após sua morte. Ele atuou também como editor, curador e pensador da fotografia.

Segundo o crítico de arte Lorenzo Mammì, italiano radicado no Brasil, “Ghirri não se pauta pela poética do momento decisivo, pelo esforço de resumir no instante o significado inteiro de uma ação. É fotógrafo dos tempos longos, das permanências”.

“No trabalho de Ghirri sempre há uma surpresa. (…) Transformar as coisas mais normais em sensações, e fazer isso repetidamente, é grande arte”, afirma o importante fotógrafo alemão Thomas Demand.

A exposição no IMS é acompanhada pelo catálogo “Luigi Ghirri: Pensar por Imagens” (288 págs.; formato 19cm x 22cm; R$ 109,90), abrangente portfólio de imagens composto ainda por textos do próprio Ghirri e de diversos curadores.

Serviço

Instituto Moreira Salles. Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis, São Paulo (SP). Tel. 3825-2560. Ter. a sex., das 13h às 19h; sáb. e dom., das 13h às 18h. www.ims.com.br

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 07/01/2014 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Luigi Ghirri

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