Emanoel Araujo tem obra na estação Barra Funda do Metrô

obra de Emanoel Araujo - credito Lucas Malkut _ blog

A Roda – Escultura transmite impressão de movimento

 

O baiano Emanoel Araujo (1940) é o autor da obra “A Roda”, uma escultura branca com 2,4 toneladas do Metrôfeita em aço carbono, datada de 1990 e medindo 3m x 9m x 0,8m, instalada no mezanino da Estação Palmeiras – Barra Funda . O trabalho simboliza três círculos, com dobras e recortes que transmitem impressão de movimento.

“Inspirei-me numa roda em movimento, cortada por fragmentos geométricos, para dar continuidade ao seu deslocamento. É o princípio natural de uma roda em movimento. Quem passa pela obra percebe o poder de uma forma que se desloca no espaço. Por isso, essa forma tem nos seus três tempos essa dinâmica”, explica Araujo. Questionado se criou alguma obra de arte para outra estação de Metrô de outra cidade, ele responde: “Não. Não me deram o privilégio.”

Também perguntei a Araujo qual a importância de o Metrô paulistano manter um acervo permanente de arte. Segundo ele, a arte pública tem um sentido de humanizar espaços como as estações. “A obra de arte é sempre um pouso de sensibilidade, em contraponto ao estresse diário de uma metrópole. Nas cidades de países civilizados, a arte deve e pode conviver com seus habitantes, com a sua arquitetura, com o seu paisagismo, numa reflexão civilizatória em que ela sempre será fundamental para a expressão de um povo e sua história.”

Araujo tem outras esculturas públicas na capital paulista: “A Aranha”, no jardim de esculturas do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), no Parque Ibirapuera; “O Totem de Xangô”, na Praça Júlio Prestes, em frente à Sala São Paulo; e “Rasgo”, na esquina da Alameda Santos com a Rua Haddock Lobo (área externa do hotel Renaissance).

A primeira das mais de 50 mostras individuais de Araujo foi em 1959, na cidade natal dele, Santo Amaro da Purificação (BA). Ele recebeu dois prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA): melhor gravador (1973) e melhor escultor (1983). Participou de duas edições da Bienal de São Paulo (1967 e 1976).

Além de artista, Araujo tem importante atuação como museólogo: dirigiu o Museu de Arte da Bahia (Salvador / BA), entre 1981 e 1983, e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, de 1992 a 2002. Em 2004, criou o Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, que dirige até hoje, instituição que preserva e divulga o universo histórico-cultural do negro brasileiro. Boa parte do acervo do museu é formada por obras da coleção particular de Araujo.

A estação Barra Funda tem três outras obras: pinturas de 1990 de José Roberto Aguilar (1941), Claudio Tozzi (1944) e Valdir Sarubbi (1939-2000) – os trabalhos dos dois primeiros já foram abordados aqui em “Arte na Linha” e o de Sarubbi será tema da coluna em uma próxima ocasião.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 31/12/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Lucas Malkut

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