Xico Chaves mostra “Luz da Matéria” na estação República do metrô paulistano

Xico Chaves _ Republica _ credito Lucas Malkut _blog

Cores e texturas – Pinturas aplicadas em pilares

 

O artista mineiro Xico Chaves (1948) é autor da obra “Século XXI – Resíduos e Vestígios – Luz da Matéria”, realizada em 1991 na estação República do Metrô em quatro pilares de concreto (com quatro faces cada). São pinturas de cores e texturas diferentes feitas com aplicações de minérios de ferro, quartzo, pigmentos minerais e resina de poliéster sobre fibra de vidro e instaladas sobre partes dos pilares.

“A obra trata de uma visão planetária de superfícies sólidas no universo, como a própria Terra vista de longe. É também um rebatimento do universo sobre a superfície da obra, de forma a criar dois planos de leitura. O primeiro é sólido, objetivo. O segundo se vê ao colar o rosto e aproximar bem o olho da superfície: percebe-se aí um espaço infinito em cada brilho mineral produzido pela reflexão, difração e refração da luz. Lembra ainda uma paisagem futura, ocasional, desértica à distância, mas que pressupõe uma descoberta por meio da aproximação ou pouso. Proponho uma reflexão sobre a luz que reflete a própria vida. Cada ponto brilhante do minério de ferro que compõe a obra reflete também o entorno, o ambiente do Metrô, com as pessoas passando, refletidas em cada microespelho destes, em milhares de ângulos diferentes”, diz Xico.

Várias faces desse trabalho foram encobertas (incorporadas a paredes) em 2007 devido à reestruturação da estação por conta da construção da Linha 4 do Metrô. Portanto, o que se vê hoje é parte da obra de arte original. “Assinei uma autorização para que a obra pudesse ser alterada e, assim, não prejudicar a coletividade. Não vi o que restou dela após a reforma da estação. À época sugeri um outro painel complementar e tive resposta positiva do Metrô. Fiz o projeto, mas não entraram mais em contato comigo. Com tantos trabalhos que tenho, e morando no Rio de Janeiro, não insisti no assunto. Eu gostaria de realizar esse painel que sugeri, de 10m por 3m, mas também não tenho financiamento”, afirma o artista.

Xico também é poeta, mediador cultural e autor de letras de música gravadas por parceiros e intérpretes como Caetano Veloso, Nara Leão, Jards Macalé, Boca Livre e Geraldo Azevedo. É diretor do Centro de Artes da Funarte (Fundação Nacional de Artes) do Rio de Janeiro.

Em abril, foi lançado o livro “Xico Chaves” (editora Fase 10; 300 págs.; 19,5cm x 25,5cm; inglês / português; R$ 60), organizado por Alberto Saraiva e integrante da coleção “Arte & Tecnologia” (Oi Futuro). “A publicação faz uma retrospectiva de obras que fiz do final dos anos 1960 até hoje, percorrendo os momentos e criações no campo da pintura com pigmentos naturais e minerais, experimentações, poesia visual, fotografia, performance, instalação, intervenção, televisão, letras de música e sonoridades, objetos e conceitos sobre arte contemporânea”, explica o artista.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 17/12/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Lucas Malkut

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