Livro reúne fotos de 125 graffitis de São Paulo

grafiteiro Treco _ credito Ricardo Czapski

Arte urbana – Obra do grafiteiro Treco

 

O graffiti é uma das formas mais democráticas de arte: pode ser visto de graça, por quem quiser e durante 24h por dia. Em São Paulo, essa manifestação é abundante, tanto que a cidade é considerada a “Meca do graffiti mundial”. Também é um gênero de arte efêmera: os graffitis desaparecem com a mesma velocidade com que são criados.

Esse caráter transitório do graffiti motivou o fotógrafo Ricardo Czapski, que lança o livro “Graffiti SP” (Comg Produção Cultural; 128 págs.; formato 18,5 x 26,5cm; português / inglês; R$ 50). Entre 2005 e 2013, ele registrou graffitis de vários pontos da cidade, formando um acervo de 10 mil imagens. Uma seleção de 130 fotos desse acervo ilustram a publicação, que apresenta 125 trabalhos de grafiteiros como Treco, Crânio, Speto, Chivitz, Ozi, Celso Gitahy, Kobra, Apolo Torres, Alex Hornest, Paulo Ito e Tinho. O texto de apresentação é do grafiteiro Binho Ribeiro.

“Estive em um safári na África e o guia me convidou para caçar. Estranhei. E ele esclareceu que seria uma caçada simbólica, apenas uma sessão de fotos, buscando os animais na savana. É esse o paralelo que faço, sou um caçador de graffitis”, conta Czapski. Algumas das imagens do livro são de graffitis já apagados. “Percebi que essa é uma manifestação artística volátil, pois muitos muros e paredes são derrubados, pintados, pichados, e desse fato, veio a inspiração maior: desenvolver um trabalho de documentação para que essa arte não seja esquecida ou que tenha sido feita em vão”, diz o fotógrafo.

O livro informa quem são os autores dos graffitis, mas não menciona os endereços onde eles foram realizados: a omissão da localização ocorreu porque diversos deles foram apagados ou substituídos. Também não são abordados alguns graffitis importantes da cidade, isso porque os respectivos grafiteiros não concordaram com a reprodução de fotos de seus trabalhos no livro.

“Alguns grafiteiros acreditam que o graffiti está banalizado e que nem todos os que pintam nas ruas são considerados artistas. É uma opinião que respeitamos, mas sentimos falta de alguns trabalhos bem conhecidos do grande público. Nosso objetivo é mostrar a diversidade de estilos e representar o que está nos muros da cidade, como uma galeria a céu aberto, sem julgar o nível ou posição que cada autor tem no cenário da street art, que hoje também ocupa museus e galerias de arte no Brasil e no exterior”.

Cerca de 600 exemplares do livro serão doados para organizações incentivadoras da arte urbana e para bibliotecas públicas. A íntegra da publicação está disponível no site http://www.graffitisaopaulo.com.br, por meio do qual também é possível comprar a versão impressa.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 05/11/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Ricardo Czapski

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