Amilcar de Castro ganha mostra no IAC

Amilcar de Castro _ dec 90 _ credito Divulgação

Corte e dobra – Obra geométrica dos anos 1990

 

“O que caracteriza um artista é ele olhar para dentro de si mesmo. Toda experiência em arte é um experimentar-se, é a experiência de si mesmo, é uma pesquisa em você mesmo. Você não pode fazer experiência com os outros. Este silêncio do olhar para dentro à procura da origem das coisas é que é o grande problema da arte. Procurando a origem você fica original, e não, querendo fazer uma coisa diferente. É por isso que eu acho que criar está junto com viver, que arte e vida são a mesma coisa.” O ponto de vista é do mineiro Amilcar de Castro (1920-2002), um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros do século 20.

O raciocínio estético dele é esmiuçado na exposição “Amilcar de Castro – Estudos e Obras”, em cartaz em São Paulo (SP) no IAC (Instituto de Arte Contemporânea) até 1° de fevereiro de 2014, com entrada gratuita. Boa parte do conteúdo exibido é inédito. São estudos em cartolina e cerca de 40 desenhos que revelam o pensamento escultórico de Amilcar, assim como pequenas peças em aço inox (estudos usados para execução das obras em aço corten). Além desse núcleo que enfoca o processo criativo, a exposição conta com cerca de 20 pinturas e por volta de 40 esculturas realizadas da década de 1970 aos anos 2000. Há também um desenho de 1947. A curadoria é de Rodrigo de Castro, filho do artista e membro da diretoria do Instituto Amilcar de Castro (Nova Lima / MG).

Uma das marcas da produção de Amilcar são as esculturas feitas com materiais como ferro e aço trabalhados com a técnica de corte e dobra. Esses trabalhos, de caráter geométrico, em geral não recebem pintura e a ferrugem é incorporada a eles. Esculturas do artista com essas características podem ser vistas em São Paulo, ao ar livre, em locais como a Praça da Sé, o Parque da Luz, o Museu de Arte Moderna (Parque Ibirapuera) e em frente ao Itaú Cultural (av. Paulista, 149).

A trajetória artística de Amilcar teve início nos anos 1940, quando estudou desenho e pintura com Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) e escultura figurativa com Franz Weissmann (1911-2005). A partir dos anos 1950, atuou com os grupos concretista (São Paulo) e neoconcretista (Rio de Janeiro), mesmo período em que reformulou o “Jornal do Brasil”, revolucionando a diagramação de jornais no país. Durante as décadas de 1970 e 1980, atuou como professor. Em 1990, deixou a docência e passou a dedicar-se com exclusividade à atividade artística.

Serviço

IAC (Instituto de Arte Contemporânea). Rua Dr. Álvaro Alvim, 90, Vila Mariana, tel. 3255-2009. Seg. a sex., das 10h às 18h; sáb., das 10h às 16h. http://www.iacbrasil.org.br

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 29/10/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

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