Claudio Tozzi em dose dupla no Metrô de São Paulo

claudio tozzi - estacao se _ credito Lucas Malkut

“Colcha de Retalhos” – Obra de 1979 feita na estação Sé

 

O paulistano Claudio Tozzi (1944) é autor de duas obras em estações do Metrô de São Paulo: um mosaico em pastilhas de vidro, na Sé, chamado “Colcha de Retalhos”, no formato 3m x 10,5m, de 1979; e a pintura “Movimento”, na Barra Funda, com 3,5m x 8m, de 1990. O painel da Sé integra o primeiro conjunto de trabalhos de arte instalados em estações do Metrô da cidade. A obra também deu origem a uma série de pinturas do artista.

“Sempre tive a intenção de fazer arte para o grande público. As intervenções em espaços urbanos, a arte pública, permite este contato. Eu tinha como proposta deslocar o quadro de seu espaço tradicional – o museu, a galeria, a sala de visitas – e colocá-lo na cidade. Em 1979, fui convidado pela crítica de arte Radha Abramo a participar do projeto de intervir nos espaços públicos e estações de Metrô. Apresentei três soluções para o local determinado pelos arquitetos do Metrô. Fiz representações de uma colcha de retalhos, de um astronauta e de silhuetas que significavam o andar das pessoas que por lá passavam. As três maquetes foram expostas no local por quatro ou cinco dias. ‘Colcha de Retalhos’ ganhou por uma grande quantidade de votos”, diz Tozzi.

“Já para a obra da Barra Funda, houve um concurso no Palácio dos Bandeirantes para se fazer um painel em substituição ao existente de Portinari (painel ‘Tiradentes’, hoje no Memorial da América Latina). Foram convidados cinco artistas para apresentar projetos. Após a inauguração da exposição, o governador Orestes Quércia e a comissão de arte decidiram que, exceto Antonio Henrique Amaral, que criou a obra em substituição à de Portinari, os outros fizessem painéis em outros espaços. Como não havia obras de arte previstas para a estação Barra Funda, ele determinou que esses painéis fossem colocados lá. Então, foi um projeto feito meio de última hora e com materiais não tão adequados para o espaço: tinta acrílica sobre tela colada em madeira revestida com verniz acrílico, processo que resiste ao tempo mas que precisa de uma manutenção  maior”, afirma o artista.

Tozzi iniciou a carreira de artista plástico no início dos anos 1960. É graduado, mestre e doutor pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), onde é professor desde 1971. É autor de várias obras públicas, entre elas a emblemática “Zebra”, de 1972, em uma empena cega de um prédio na Praça da República. No currículo dele figuram diversas exposições individuais e coletivas, entre elas as bienais de São Paulo (1967, 1969 e 1991) e de Veneza (1976).

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 15/10/2013 no jornal ‘Metrô News’ ( www.metronews.com.br ).

Foto: Lucas Malkut

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