Estação Ana Rosa do Metrô paulistano tem 80 esculturas de Lygia Reinach

AnaRosa_obradeLygiaReinach_credito Lucas Malkut

Figuras – Cerâmicas representam uma multidão

 

A estação Ana Rosa tem uma das obras mais interessantes do acervo do Metrô paulistano: “Figuras”, de Lygia Reinach (Dois Córregos / SP; 1933). São 80 peças cilíndricas em cerâmica com cerca de 1,7m cada, datadas de 1992. “O barro usado para eu fazer essas esculturas foi retirado das escavações realizadas para a construção da própria estação. A obra foi elaborada no meu ateliê durante 14 meses de trabalho diário e contínuo. Criei 80 figuras, as quais integraram a Bienal de São Paulo de 1991. Durante a Bienal, fui procurada pela direção do Metrô, que adquiriu a obra”, afirma Lygia. “Quem faz cerâmica está sempre a olhar, a examinar, a procurar barro. Minhas idas e vindas pela cidade sempre me levam a olhar com atenção a profundidade das escavações: quanto mais profundas, melhor é o barro para ser usado pela arte. Foi isso o que ocorreu no caso do trabalho da estação”, explica.

“A obra consiste em figuras ligadas a ideias de vegetação, da natureza, muitas vezes com formas, sim, de pessoas. Cabeças coroadas, cabeças alegres, cabeças tristes. Enfim: cabeças. De árvores, de gente, de idades diversas”, diz a artista. Ela também conta que o projeto “Arte no Metrô”, de formação de acervo para exibição nas estações, sempre a entusiasmou. “É um grande projeto para a cidade de São Paulo. Indiscutível. Sério. Está aí para comprovar. Por isso aceitei o convite e após o término da Bienal iniciei a instalação para a estação. Tenho muito orgulho de ter minha obra no Metrô há tantos anos”.

A artista, que devolveu para o subterrâneo da cidade o barro por ela trabalhado, aborda nessa obra o conceito de multidão, criando assim um elo com a estação, espaço de grande circulação de pessoas. Vale ainda dizer que de manhã e de tarde, o conjunto de esculturas recebe luz natural e de noite, luz artificial. Lygia adianta que há alguns meses apresentou um projeto de obra de arte para uma nova estação, o que ainda depende de aprovação.

No Parque da Luz, na estação Luz do Metrô, há também uma obra de Lygia, chamada “Colar”, do ano 2000, composta por várias bolas de cerâmica que formam um gigantesco colar distribuído pelo chão e em galhos de árvores do parque. Uma novidade sobre Lygia é que a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo acaba de publicar um livro sobre a trajetória da artista, chamado “Lygia Reinach: Natureza Urbana | Urban Nature” (204 págs.; formato 30cm x 27cm; R$ 120 ou R$ 150 com capa dura). O livro tem organização de Cesar Hirata e Cristina Penz. Na publicação, a obra da estação Ana Rosa é mencionada e há imagens dela feitas pelo fotógrafo Romulo Fialdini. A estação também tem trabalhos dos artistas Glauco Pinto de Moraes (1928-1990) e Luiz Gonzaga Mello Gomes (1940), os quais serão abordados em uma próxima ocasião aqui em “Arte na Linha”.

|

Texto de Everaldo Fioravante publicado em 01/10/2013 no jornal ‘Metrô News’ ( www.metronews.com.br ).

Foto: Lucas Malkut

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s