Metamorfoses de Maria Martins no MAM-SP

Maria Martins blog

L’Impossible – Famosa escultura datada de 1940

 

“Diga-me com quem andas e te direi quem és”. A frase, atribuída ao escritor e pensador alemão Goethe (1749-1832), funciona bem para abordar vida e obra da escultora Maria Martins (Campanha / MG, 1894 – Rio de Janeiro / RJ, 1973), de quem a exposição ‘Metamorfoses’ fica até 15/09/13 no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Ela foi amiga de figuras fundamentais da cultura do século 20, como o escritor francês André Breton (1896-1966) e artistas plásticos como o espanhol Picasso (1881-1973), o romeno Brancusi (1876-1957) e o francês Fernand Léger (1881-1955).

Casada com o historiador Otávio Tarquínio de Souza (1889-1959), Maria rompeu o casamento em 1925 – época em que na sociedade brasileira separação era considerada escândalo. Em seguida, foi para a França com o segundo companheiro, o diplomata Carlos Martins Pereira e Souza (1884-1965), com quem morou em vários países (por isso, a carreira dela foi desenvolvida principalmente no exterior). Maria teve relacionamentos amorosos com os artistas Marcel Duchamp (1887-1968; francês) e Mondrian (1872-1944; holandês). Ela e o embaixador tinham um casamento aberto.

A retrospectiva dela no MAM traz cerca de cem peças, sendo 38 esculturas, a maioria em bronze, além de pinturas, obras sobre papel, joias e cerâmicas de parede. A mostra tem cinco núcleos: ‘Trópicos’, de temas brasileiros, traz figuras com sinalização para o entrelaçamento do humano com o vegetal; ‘Lianas’, com foco nas formas que circundam as figuras principais, como na obra ‘Comme une Liane’, figura feminina com membros semelhante a cipós; ‘Deusas e Monstros’, figuras humanas transformadas, trabalhos de caráter onírico com tensões como atração e repulsão; ‘Cantos’, relacionado à biografia do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) escrita por Maria e intitulada ‘Deuses Malditos’ (1965), com esculturas de formas arredondadas; e ‘Esqueletos’, em que a artista voltada sobretudo às formas orgânicas explora a simbolização do esqueleto humano.

Conhecida sobretudo como escultora, a artista também atuou como jornalista e escritora. A exposição reúne também livros e artigos dela. A curadoria é de Veronica Stigger, escritora, crítica de arte e professora universitária com pós-doutorado sobre a produção de Maria Martins, artista que em 2012 foi um dos destaques da 13ª edição da Documenta de Kassel (Alemanha), um dos principais eventos de arte do mundo.

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Serviço

MAM-SP: av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, Parque do Ibirapuera, São Paulo (SP), tel. 5085-1300. Ter. a dom., das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h). Ingr.: R$ 6. Grátis para crianças de até 10 anos e adultos com mais de 65 anos. Aos domingos, a entrada é franca para todo o público. http://www.mam.org.br

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 13/08/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

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