Adeus a Radha Abramo

Radha Abramo blog

Retrato de Radha – Obra de Marco Rossi

 

“Bom serviço social será a inclusão da obra de arte, uma coisa boa, no mobiliário da vida cotidiana, uma vez que ela é capaz de despertar o conhecimento sensível, perceptivo, e o aspecto sensível da nossa afetividade. Faz-se assim o exercício estético e ético ao mesmo tempo”. Esse raciocínio está em um texto de Radha Abramo no livro ‘Arte no Metrô’ (1994). Jornalista, museóloga e crítica e historiadora de arte, Radha morreu no dia 24 passado de infarto do miocárdio – tinha mal de Alzheimer desde 2008 e estava internada em uma clínica de repouso. Foi dela a ideia de colocar obras de arte na estação Sé do Metrô, entre 1978 e 1979, passo inicial para a formação do acervo do Metrô paulistano, que hoje tem cerca de 100 obras em 37 das 64 estações.

De 1980 a 1987, a política de desenvolvimento desse acervo ficou praticamente paralisada. “Em 1988, assumi a chefia do departamento de marketing do Metrô e junto à Radha criamos definitivamente o projeto Arte no Metrô, voltado à formação do acervo, o qual coordenei até 1995”, afirma o arquiteto Marcello Glycerio. “O universo subterrâneo da arte pública de São Paulo agradece à Radha, grande dama das artes”, diz Glycerio.

De 1990 a 1995, Radha coordenou a Comissão Consultiva do projeto Arte no Metrô. Entre 1985 e 1998, foi curadora do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. No dia da morte dela, a Ministra da Cultura, Marta Suplicy, divulgou nota de pesar. Radha, além do envolvimento com a arte, também ficou conhecida pela resistência à ditadura militar brasileira. Ela era viúva do importante jornalista Cláudio Abramo (1923-1987).

“Radha foi uma pessoa lúcida e digna. Dezenas de vezes trabalhamos juntos. Sempre se pautou pela seriedade e pela tolerância às opiniões divergentes. Encarava com delicado humor as tolices das disputas cotidianas”, diz o jornalista, curador e crítico de arte Jacob Klintowitz. “Para Radha, a disponibilização de obras de arte para milhares de usuários do Metrô resgata o sonho utópico do intelectual inglês John Ruskin de levar a arte até o povo, em função de seu inegável potencial educador”, afirma o também jornalista, curador e crítico de arte Enock Sacramento na nova versão do livro ‘Arte no Metrô’ (2012).

Marcos Garrot, autor da escultura ‘Esfera’ (2009) para a estação Santos-Imigrantes do Metrô, foi amigo de Radha. “Quando a conheci, em 2004, eu mantinha contato com a subprefeitura da Mooca e apresentei a ideia de transformar em espaço cultural um dos inúmeros galpões vazios do bairro. O artista Marco Rossi também aderiu à ideia e juntos tentamos implantá-la. Infelizmente, as questões burocráticas e a doença de Rhada impossibilitaram a realização daquilo que durante um tempo nos garantiu boas conversas”, afirma Garrot.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 06/08/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Reprodução

1 comentário

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Uma resposta para “Adeus a Radha Abramo

  1. celso

    Parabéns. Ótimo texto e merecida homenagem à grande dama das artes brasileiras.

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