Escultura de Sergio Camargo na Sé

Se_obra de Sergio Camargo_credito Lucas Malkut

Obra tem dez peças sobrepostas

 

O escultor carioca Sergio Camargo (1930-1990), ainda adolescente, estudou em Buenos Aires com o importante pintor ítalo-argentino Lucio Fontana (1899-1968). Viveu na capital argentina (1946 a 1948) e em Paris (1948 a 1953 e 1961 a 1974). Em meados da década de 1960, alternou-se entre a capital francesa e a cidade de Carrara, na Itália. Participou dos três mais importantes eventos de artes visuais do mundo: Bienal de São Paulo (1955, 1957 e 1965, ano em que recebeu o prêmio de Melhor Escultor Nacional), Bienal de Veneza (Itália; 1966) e Documenta de Kassel (Alemanha; 1968). Tem obras públicas no Brasil e no exterior.

Camargo é autor de uma das 14 esculturas criadas para a Praça da Sé quando ela foi reurbanizada junto à construção da estação Sé do Metrô, inaugurada em 1978. Com esse conjunto de esculturas, criou-se um debate sobre a instalação de trabalhos artísticos no Metrô e, entre 1978 e 1979, a estação Sé ganhou as primeiras obras. A escultura de Camargo, em mármore branco, com 5 toneladas, mede 3,50m x 2,05m x 0,49m e tem caráter geométrico. É formada por dez peças alongadas sobrepostas, empilhadas, com calculado deslocamento entre uma e outra.

A obra foi instalada na praça em novembro de 1978 e inaugurada oficialmente em 25 de janeiro de 1979, no aniversário da cidade. Em 16 de fevereiro de 1979, Jacob Klintowitz escreveu sobre a escultura no hoje extinto ‘Jornal da Tarde’: “Um grande bloco de mármore em que os sinais negativos e positivos, o dentro e o fora, estabelecem uma linha melódica e de condução do olhar. Há a permanente surpresa do jogo visual”.

O Instituto de Arte Contemporânea (IAC) divulga e pesquisa as obras de Camargo e de três outros grandes artistas: Willys de Castro (1926-1988), Amilcar de Castro (1920-2002) e Mira Schendel (1919-1988). Até o dia 31 de agosto, a exposição ‘Sergio Camargo: Construtor de Ideias’ é realizada no IAC (Rua Dr. Álvaro Alvim, 90, 1º andar, Vila Mariana, tel. 3255-2009. Seg. a sex., 10h/18h; sáb., 10h/16h. Grátis. www.iacbrasil.org.br). A mostra reúne cerca de cem itens do acervo do instituto, como obras em pequenos formatos, desenhos e estudos. Camargo é representado pela galeria paulistana Raquel Arnaud (www.raquelarnaud.com) desde 1975, a qual é responsável pelo espólio dele desde 1990.

No final de maio passado, a obra ‘Relevo nº 236’, composição abstrata feita com cilindros de madeira pintados de branco, criada por Camargo em 1969, foi vendida pela casa de leilões Sotheby’s, de Nova York, por US$ 845 mil (R$ 1,85 milhão) em um leilão de arte latino-americana. Foi a segunda obra de mais alto valor negociada no leilão – a primeira foi uma pintura de 1931 do uruguaio Joaquín Torres García (1874-1949), vendida por US$ 1,44 milhão (R$ 3,16 milhões).

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 02/07/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Lucas Malkut

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