Praça da Sé tem síntese da escultura de Vlavianos

Sé _ obra de Nicolas Vlavianos _ crédito Lucas Malkut

‘Nuvem Sobre a Cidade’ – Obra de 1978 em aço inox

 

No livro ‘Vlavianos, a Práxis da Escultura’ (editora Globo; 2001), um texto de Marc Berkowitz enquadra Nicolas Vlavianos no rol dos artistas que possuem personalidade: “Que não obedecem a modas, que criam as suas linguagens próprias, que não produzem para agradar a críticos ou marchands. São esses os artistas que ficam e que crescem”. Berkowitz ainda destaca que o escultor, com o passar do tempo, “foi desenvolvendo o seu estilo pessoal, que torna um trabalho dele reconhecível de longe”.

É o caso de ‘Nuvem Sobre a Cidade’, obra de Vlavianos na Praça da Sé feita com aço inox soldado, rebitado e polido (mede 3,38m x 6,17m x 1,02m). Ela faz parte do conjunto de 14 esculturas instaladas na praça quando ocorreu a reurbanização do local, realizada com a construção da estação Sé do Metrô, inaugurada em 1978. A partir dessas esculturas, criou-se um debate sobre a instalação de obras no Metrô e entre 1978 e 1979 a estação Sé ganhou os primeiros trabalhos de arte.

Vlavianos nasceu em 1929 em Atenas (Grécia) e mudou-se em 1956 para Paris (França). Em 1961, participou da 6ª Bienal de São Paulo e permaneceu na cidade. Há cerca de 30 anos, mora e mantém ateliê em Granja Viana (Cotia / SP). Desde 1969, leciona na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), na capital paulista.

O artista dedica-se à criação de esculturas em materiais como aço inox, ferro e latão, usando solda, parafusos e rebites. “O que mais me fascina na escultura é a aventura física: de um lado, uma ideia em formação; de outro, um monte de materiais inertes, mas com características próprias. Um indo ao encontro de outro. Nas minhas esculturas estão sempre presentes dois elementos, duas forças antagônicas. O diálogo que se estabelece entre esses dois elementos é a própria história do homem. O elemento mental e o elemento animal. A razão e o impulso”, afirmou Vlavianos em 1971.

Ao longo da carreira, ele explorou temas como astronautas, plantas, máquinas e aparelhos eletrodomésticos, além de nuvens, como o trabalho da Praça da Sé, no qual combinou elementos geométricos (remetendo aos prédios da cidade) e orgânicos (referência à natureza).

Sobre essa obra da praça, Vlavianos disse para a coluna ‘Arte na Linha’: “Ela é uma síntese do meu pensar sobre escultura. Nela, dois elementos geométricos surgem diretamente da terra, opostos e em diagonais de graus diferentes. São formas rígidas, referência às estruturas ortogonais dos prédios. Já as nuvens são formas ocasionais e assimétricas, contrastando com o rigor das peças que as suportam. Penso que a razão e a emoção são as forças animadoras do ser humano. São antagônicas, mas se completam. Na Arte aparecem com mais força ora uma ou a outra. Nós tentamos nos equilibrar entre as duas, transformar a matéria em harmonia, definir nossa condição de criadores de novas premissas, novas ideias.”

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 11/06/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Lucas Malkut

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