Fotógrafa Madalena Schwartz tem mostra na estação República

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Cláudio Gaya, do Dzi Croquettes

 

O Museu da Diversidade, na estação República do Metrô, realiza até 30 de setembro, com entrada franca, a exposição ‘Crisálidas’, com fotografias de Madalena Schwartz (1921-1993) que apresentam o universo artístico paulistano dos anos 1970 por meio de retratos de transformistas, travestis e personagens do teatro underground. A mostra é promovida pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com o Instituto Moreira Salles (IMS). Jorge Schwartz, filho de Madalena e diretor do Museu Lasar Segall, é o curador da mostra, que traz 34 imagens de um período marcado pela transgressão (apesar do regime militar), em que temas ligados à diversidade e à liberdade sexual ganharam visibilidade.

Interessada pela androginia e pelo transformismo, Madalena se aproximou do universo LGBT paulistano, frequentado por artistas inovadores, como os integrantes dos grupos Secos & Molhados e Dzi Croquettes. Ela ficou fascinada pela excentricidade, expressões faciais e forma de se vestir dessas pessoas. A maioria das fotos foi feita num estúdio improvisado no apartamento de Madalena no edifício Copan, no Centro da cidade.

Madalena nasceu em Budapeste, na Hungria. Em 1934, órfã de mãe, foi viver com o pai na Argentina. Em 1960, casada e mãe de dois filhos, mudou-se para o Centro de São Paulo, cidade onde viveu até a morte. A série ‘Crisálidas’, retrata pessoas que, assim como Madalena, de certa forma também deixaram vidas anteriores para trás.

Em 1966, ela começou a estudar fotografia no Foto Cine Clube Bandeirantes. Na década de 1970, publicou fotos em várias revistas. A primeira exposição individual dela foi no Masp, em 1974. Entre 1979 e 1991, trabalhou para a Rede Globo e colaborou com a Editora Abril. Em 1983, recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) o prêmio de melhor fotógrafo. Nos últimos anos da vida, debilitada fisicamente, dedicou-se à escultura.

A obra de Madalena reúne cerca de 16 mil imagens, a maioria em preto-e-branco, acervo pertencente ao IMS. São retratos de paulistanos das décadas de 1970 e 1980 e rostos anônimos registrados em viagens pelo Norte e Nordeste do Brasil. As fotos mais conhecidas dela são retratos de artistas plásticos, músicos e intelectuais, como Sérgio Buarque de Hollanda e seu filho Chico Buarque, Clarice Lispector, Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade. A série de fotos ‘Crisálidas’ ganhou em 2012 um livro homônimo publicado pelo IMS.

O Centro de Cultura, Memória e Estudos da Diversidade Sexual, conhecido como Museu da Diversidade, foi inaugurado pelo Governo do Estado em junho de 2012. Tem como objetivo preservar o patrimônio cultural da comunidade LGBT brasileira, por meio da coleta, organização e divulgação de referências materiais e imateriais ligadas ao movimento.

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Serviço

Museu da Diversidade. Estação República do Metrô (mezanino). Exposição ‘Crisálidas’, de Madalena Schwartz. Em cartaz até 30 de setembro. Entrada franca. Visitação: ter. a dom., 10h às 20h.

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Texto: Everaldo Fioravante

Foto: Madalena Schwartz

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