Manabu Mabe ganha mostra na Caixa Cultural

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Autorretratto de 1950

 

A exposição ‘Chove no Cafezal. Mabe, da Figura à Abstração’, na Caixa Cultural, na Praça da Sé, reúne 30 pinturas e cinco desenhos do japonês naturalizado brasileiro Manabu Mabe (1924-1997). Fica em cartaz até 7 de julho, com entrada franca. As obras exibidas foram feitas nos primeiros 15 anos do percurso artístico de Mabe, entre 1945 e 1959, e documentam a transformação da linguagem pictórica dele, da figura à abstração. Após criar trabalhos figurativos, na segunda metade dos anos 1950 Mabe dedicou-se a um tipo de pintura abstrata influenciada pelo geometrismo e, depois, caminhou para um abstracionismo gestual e caligráfico (parte mais conhecida da carreira dele). A mostra é, então, uma oportunidade de contato com uma faceta menos conhecida do pintor. A curadoria é do jornalista e crítico de arte Enock Sacramento, autor do livro ‘Arte no Metrô’ (disponível no site http://www.metro.sp.gov.br).

“As obras da mostra são figurativas e abstratas, além de trabalhos da fase de transição entre a figura e a abstração. As obras figurativas são paisagens, naturezas-mortas, vasos com flores, retratos e autorretratos. Algumas têm como tema o cafezal”, afirma Sacramento.

Mabe migrou do Japão para o Brasil aos 10 anos e foi com a família para as fazendas de café da região noroeste do Estado de São Paulo. Em 1948, ele comprou um cafezal. “A vida era dura no cafezal. Trabalhávamos seis dias por semana. Meu pai respeitava minha inclinação para a arte, mas deixou claro que o trabalho no cafezal era prioritário, porque dele dependia o sustento da família numerosa. Por isso, eu só pintava aos domingos e nos dias em que chovia”, declarou Mabe a Sacramento em 1995.

O nome da exposição, ‘Chove no Cafezal’, é o título de um livro de 1994 que reúne artigos autobiográficos de Mabe publicados naquele mesmo ano no jornal japonês Nihon Keizai Shimbun. Esses textos foram traduzidos para o português e lançados no Brasil em 1998.

No início dos anos 1950, Mabe já era um artista importante, como atesta a participação dele em 1953 na 2ª Bienal de São Paulo, cidade para onde mudou-se em 1957. Participou de outras dez edições da bienal paulistana – na 5ª, em 1959, recebeu o Prêmio Melhor Pintor Nacional. Em 1960, conquistou o Prêmio Fiat na Bienal de Veneza. Nas décadas seguintes, Mabe continuou desenvolvendo a carreira e tornou-se um dos mais importantes nomes da arte brasileira. Morreu em 1997, em São Paulo.

Há duas outras mostras em cartaz na Caixa Cultural: uma do cartunista Glauco (1957-2010) e outra do videoartista, artista gráfico, poeta visual e profissional de TV Walter Silveira (1955).

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Serviço

Caixa Cultural: Praça da Sé, 111, próximo à estação Sé do Metrô, tel. (11) 3321-4400. Grátis. Visitação: ter. a dom., 9h às 20h. http://www.caixacultural.com.br

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 04/06/2013 no jornal ‘Metrô News’.

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Foto: Divulgação

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