Lúcio Kume exibe ‘Bad Moon’ na Liberdade

Liberdade_LucioKume

Obra foi criada ao vivo em 1988

 

A estação Liberdade do Metrô, no tradicional bairro ‘oriental’ da cidade, tem 11 obras de arte – duas de artistas japoneses e nove de brasileiros de origem japonesa (sete deles paulistanos). São pinturas, todas no formato 1,80m x 1,15m, feitas em comemoração aos 80 anos da imigração japonesa no Brasil, em 1988. Elas estão expostas em duas paredes do mezanino da estação. Uma das obras é ‘Bad Moon’ (‘Lua Má’), trabalho do pintor, desenhista e designer gráfico Lúcio Kume (São Paulo /SP; 1951).

“As 11 telas da estação Liberdade foram pintadas ao vivo durante um projeto de intervenção artística que ocorreu no estande do Metrô no Festival do Japão realizado no Ginásio do Ibirapuera em 1988. Posteriormente, essas pinturas foram doadas pelos artistas para o acervo do Metrô”, afirma Kume.

O artista explica que a obra, originalmente, era composta de duas partes. “Eram duas pinturas idênticas, ‘Bad Moon’ ou ‘As Gêmeas’, pintadas em tinta acrílica: uma sobre tela e outra feita diretamente sobre a parede (painel) do estande. As imagens minimalistas em dose dupla, um semicírculo projetado assimetricamente, vinham estampadas com a inscrição ‘Bad Moon’. Elas obedeceriam a um modo de expor: a metade portátil (pintada sobre tela) deveria ser exposta junto à sua réplica em situações variadas, ora apoiada sobre a cópia com um leve desvio ou não, ora colocada lado a lado, ora frente a frente. Enfim, a cada dia com um posicionamento diferente. Era uma pintura-espelho. Minha ideia foi de criar um mecanismo de sentido nas relações entre registros perceptivos, como por exemplo imagem/palavra e original/cópia. Enfim, quando criei a obra, não busquei uma relação direta com o tema da comemoração da imigração japonesa”.

Kume continua: “Entendo que a pintura, a ‘metade’ hoje exposta na estação Liberdade, desmembrada e desamparada desse contexto original, está ainda mais suscetível a diversos tipos de leitura e entendimento por parte de quem a vê”.

No livro ‘Arte no Metrô’, lançado no ano passado e disponível no site do Metrô (www.metro.sp.gov.br), o jornalista, crítico de arte e curador Enock Sacramento faz uma leitura de ‘Bad Moon’: “Em 1908, chegava ao porto de Santos o navio Kasato Maru, proveniente de Kobe, com 781 imigrantes japoneses. O sentimento desses imigrantes era naturalmente de grande apreensão em relação a um país tão distante, de cultura tão diferente, associado à frustração de não poder permanecer no país de origem em função de suas dificuldades sociais e econômicas do momento e a alguma esperança. As noites no Kasato Maru, mesmo as enluaradas, em alto-mar, não eram de euforia. Por isso, nem sempre a lua era uma good moon (lua boa). Esta é uma das leituras possíveis dessa obra”.

|

Texto de Everaldo Fioravante publicado em 14/05/2013 no jornal ‘Metrô News’.

|

Foto: Reprodução

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s