Um restaurador apaixonado pelo Metrô

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Olandim com obra de Odiléa Toscano no Paraíso

 

“Sou apaixonado por arte e ‘metrófilo’ compulsivo, viciado no Metrô de São Paulo”. A afirmação é do paulistano Cezar Roberto Olandim, de 55 anos, que fez conservação e restauro de várias das cerca de 100 obras de arte do acervo permanente do Metrô. Receberam cuidados dele trabalhos das estações Vila Prudente (obras de Sérgio Ferro), Brigadeiro (Fernando Lemos e Cícero Dias), Consolação (Tomie Ohtake), República (Luiz Hermano e Roberto Mícoli), Ana Rosa (Lygia Reinach), Paraíso (Odiléa Toscano e Betty Milan), Sé (Renina Katz e Waldemar Zaidler), Armênia (Josely Carvalho), Jabaquara (Renina Katz), São Bento e Santana (Maurício Nogueira Lima).

“O acervo do Metrô democratiza a arte, a torna pública, fomenta a sensibilidade dos usuários e faz com que eles se acostumem com o belo e com o diferente. É um projeto de grande valor social. As pessoas respeitam o Metrô e as obras das estações, tanto que raramente elas sofrem vandalismo”, diz Olandim.

Entre as obras restauradas por ele para o Metrô, as primeiras foram as de Sérgio Ferro entre 2001 e 2002, as quais foram instaladas em 1990 em uma galeria subterrânea entre a estação Barra Funda e o Memorial da América Latina, de onde foram retiradas em meados dos anos 1990 por terem sofrido vandalismo, e que desde 2010 estão na estação Vila Prudente. Já a restauração mais recente é a de uma pintura mural de Odiléa Toscano, no Paraíso, em agosto de 2012. Olandim diz que cada uma das obras do Metrô com as quais ele trabalhou ofereceu uma dificuldade particular de restauro, já que elas têm muitas diferenças: técnicas (pintura, cerâmica etc), datas e estado de conservação, local e forma de exposição, entre outras características.

Ele também falou de uma situação curiosa quando restaurava o trabalho de Renina Katz na estação Sé. “Eu estava retirando uma amostra da obra, usando um bisturi, daí um segurança do Metrô me barrou, achando que eu estava vandalizando, e queria me levar para a delegacia. Me expliquei e deu tudo certo”.

Olandim atua há 36 anos com conservação, restauração, identificação e perícia de obras. Entre os restauros que fez, ele destaca dois, “pela importância cultural”: o do painel ‘Tiradentes’, de Candido Portinari, do Memorial da América Latina, e o da pintura ‘Operários’, de Tarsila do Amaral, do Acervo do Governo do Estado de São Paulo.

Entrevistei Olandim girando com ele por várias estações, ocasião em que ele me mostrou diversos bilhetes antigos do Metrô, entre eles um de julho de 1974. “Esse bilhete era de viagens de teste, feitas antes do início da operação comercial, que começou em setembro daquele ano. Mas minhas lembranças do Metrô são ainda anteriores: lembro da retirada dos trilhos do bonde para a construção do primeiro trecho da Linha Azul, do Jabaquara à Vila Mariana. Tenho uma relação antiga e emocional com o Metrô”.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 07/05/2013 no jornal ‘Metrô News’.

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Foto: Larissa Dark

1 comentário

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Uma resposta para “Um restaurador apaixonado pelo Metrô

  1. Gianfranco Catellani

    conheço este trecho e tambem este proficional e sei e afirmo que ele domina e fala a realidade dos fatos!

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