José Resende tem escultura provocativa na Praça da Sé

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Quadro-negro – Obra é uma lousa para pichadores

 

O paulistano José Resende (1945) é autor de uma das 14 esculturas criadas para a Praça da Sé quando ela foi reurbanizada junto à construção da estação Sé do Metrô, inaugurada em 1978. Esse trabalho, uma lâmina de concreto suspensa por quatro colunas de aço corten, foi a primeira criação de Resende para espaço público. Mede 2m x 14m x 0,3m. “Na proposta inicial, a peça deveria ser instalada em frente ao Fórum, o que não foi permitido, transferindo-a para uma das laterais da praça. Minha ideia pigmentando o concreto de preto era de dar a impressão de uma lousa, um quadro-negro. Era o início do movimento das ‘Diretas Já’ e instalar essa tarja preta em frente do prédio do Fórum na praça era de fato uma provocação. A ideia foi de oferecer um suporte para pichações, que em geral tinham teor político ou obsceno, sempre de provocação”, afirma Resende.

O artista ainda criticou o “jardim de esculturas” da Praça da Sé. Segundo ele, é uma forma demagógica de exibição de arte, pois se justifica pela busca de aproximação com o público mas não cumpre essa intenção. “As obras, além de não se imporem, acabam descaracterizadas pela violência que contra elas se cria, inviabilizando entendimentos por conta da degradação que sofrem”, diz.

Resende completa o raciocínio: “Isso é constatável pelo descaso, pois faz cerca de 35 anos que o meu trabalho lá está e só há uns cinco anos foi removido de um canteirinho (construído em torno dele à minha revelia) para um piso que permite às pessoas chegarem até ele. Nesse canteiro foram plantadas árvores que por anos esconderam a obra quase totalmente. Dizer que houve exposição pública do trabalho estes anos todos é uma mentira”.

Em São Paulo, Resende também tem esculturas no Parque da Luz, Parque Ibirapuera e Cidade Universitária (USP). A obra ‘A Cabana do Vento’, em cartaz até o dia 04/08/2013, é uma grande instalação criada por ele para o átrio do Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1.000, tel. 2076-9700. Grátis. Ter. a sáb., 9h às 21h; dom., 9h às 19h). O trabalho, em tecido, fica suspenso no teto do local. Resende também participa da mostra ‘Luz e Sombra’, em cartaz até 25/05/2013 na Galeria Raquel Arnaud (r. Fidalga, 125, Vila Madalena, tel. 3083-6322. Grátis. Seg. a sex., 10h/19h; sáb., 12h/16h). Ele apresenta uma obra em parafina (material translúcido) e suspensa por fios. A exposição também traz trabalhos de Carlos Fajardo, Waltercio Caldas, Arthur Luiz Piza e Cassio Michalany.

Ao longo da carreira, Resende integrou o Grupo Rex (nos anos 1960, junto a Wesley Duke Lee, Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Frederico Nasser e Fajardo) e também fundou a Escola Brasil (na década de 1970, com Luiz Paulo Baravelli, Nasser e Fajardo).

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 30/04/2013 no jornal ‘Metrô News’.

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Foto: Lucas Malkut

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