Sé: conjunto de obras em praça pública incompleto

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Obra de Ascânio MMM removida da Praça da Sé

 

A Praça da Sé foi reurbanizada junto à construção da estação Sé do Metrô, inaugurada em 1978. A Prefeitura então instalou na praça esculturas de 14 grandes nomes da arte brasileira, como Franz Weissmann e Rubem Valentim. A partir daí criou-se um debate sobre a instalação de trabalhos artísticos no Metrô e, entre 1978 e 1979, a estação Sé ganhou as primeiras obras. Mas esse conjunto de esculturas da praça está desfalcado: a obra do artista Ascânio MMM foi retirada em 1989 e não foi reinstalada. “Um dos conjuntos mais importantes de obras de arte em praça pública no Brasil está incompleto”, afirma Ascânio. O trabalho, feito com perfis de ferro, media 5m x 1,2m x 1,2m.

Em 1989, Ascânio recebeu um comunicado do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico), órgão da prefeitura, solicitando informações técnicas da escultura para a preparação de um projeto de restauro dela. O artista diz que enviou os dados solicitados, mas a escultura foi retirada e não retornou à praça.

Enviei um email ao DPH questionando sobre a escultura e a mensagem foi encaminhada pelo órgão à assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura, que respondeu: “A escultura de Ascânio MMM foi degradando-se por conta da fragilidade do material usado. Por ameaçar riscos e estar bastante oxidada, foi removida pela prefeitura. Estuda-se, juntamente com o autor, reproduzir uma nova obra com material mais resistente”. Encaminhei essa resposta da Secretaria para Ascânio e ele afirmou: “Para mim é novidade que eles estejam no momento estudando comigo reproduzir uma nova obra”.

Enquanto isso, o renomado curador e crítico de arte Paulo Herkenhoff acaba de lançar o livro ‘Ascânio MMM: Poética da Razão’ (editora BEI; 422 págs; formato 23,4cm x 27cm; R$ 90), resultado de quatro anos de trabalho.

O capítulo 9 do livro, ‘A escultura no espaço público’, traz a foto da obra da praça reproduzida em página inteira (veja a foto acima). Sobre essa primeira escultura dele criada para espaço público, Ascânio afirma no livro: “Em 2006, restauraram a praça, inclusive algumas esculturas, e ignoraram a existência da minha, apesar das minhas tentativas com visitas e envio de emails ao DPH. Nesse período, o departamento mudou de endereço várias vezes, visitei-os todos. O conjunto de esculturas da praça da Sé está incompleto. Falta uma. Eram 14 artistas escolhidos pela comissão, agora são 13. Há um desinteresse, uma omissão, comuns à função pública”.

“Até a década de 1990, Ascânio e Weissmann talvez tenham sido os artistas com maior presença de esculturas construtivas em espaços públicos no Brasil”, afirma Herkenhoff no livro. Nascido em Portugal em 1941, Ascânio vive no Rio de Janeiro desde 1959.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 23/04/2013 no jornal ‘Metrô News’.

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Foto: Ascânio MMM

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