Artista multimídia Fernando Lemos tem painel na estação Brigadeiro do Metrô

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‘Des-Aceleração’ – Obra mede 2m x 20m

 

Fernando Lemos, nascido em 1926 em Lisboa (Portugal), vive no Brasil desde 1953. É um verdadeiro artista multimídia: fotógrafo, designer gráfico, desenhista, pintor, gravador e poeta. Na estação Brigadeiro do Metrô paulistano há dois painéis de 1991, um em cada lado da plataforma central: um de Lemos e outro do pernambucano Cícero Dias (1907-2003). Cada um mede 2m x 20m. São feitos com lajotas de cerâmica de 0,50m x 0,50m pintadas a revólver.

“Sou multimídia, com percurso essencialmente gráfico e poeta. Criatividade não quer dizer só artística, pode ser qualquer gesto artesanal de profissão com acabamentos. Quando a beleza não é mais que uma forma bem-sucedida”, afirmou Lemos, por email. A obra dele na estação, intitulada ‘Des-Aceleração’, é uma composição abstrato-geométrica vibrante, um jogo de formas triangulares criadas em azul, verde, vermelho e branco.

Conforme explicação de Lemos, o painel, com título que remete a aceleração e desaceleração, foi criado levando em conta a dinâmica do transporte, baseado nos movimentos de chegada e partida dos trens e passageiros. As obras dele e de Cícero Dias na estação podem ser vistas tanto pelas pessoas que aguardam os trens quanto pelas que já estão dentro deles.

Lemos também falou do tempo que empregou para desenvolver o trabalho: “O painel foi executado numa fábrica em Itu (SP), com assessoria do técnico Mugami. A execução técnica da obra demorou três meses”.

Após a chegada de Portugal ao Brasil, Lemos viveu no Rio de Janeiro, transferindo-se ainda em 1953 para São Paulo, onde reside até hoje. Ao longo da carreira, participou de dezenas de mostras coletivas e realizou cerca de 40 exposições individuais (no Brasil, Portugal, França, Espanha, Alemanha e Rússia). Participou de oito edições da Bienal de São Paulo: em 1957, dividiu o Prêmio de Melhor Desenhista Nacional com a artista Wega Nery (1912-2007); e teve sala especial em 1965. O artista explica que diversas obras públicas que criou para São Paulo não existem mais: “Sofreram demolição na fúria de construção que atravessou várias décadas na cidade”.

Lemos continua produzindo: “Além de escrever cartas e experiências poéticas, também faço desenhos”. Para conhecer um pouco mais da obra do artista, há uma mostra dele em cartaz até o dia 10/7 na galeria FASS (r. Rodésia, 26, Vila Madalena, tel. 3037-7349. Grátis. Seg. a sex., 11h às 19h; sáb., 11h às 17h. www.fassbrasil.com). A exposição, chamada ‘Medo-a-Medo’, reúne 28 desenhos inéditos feitos nos últimos dois anos, obras que abordam o tema medo, e também fotos de viagem dos anos 1960, algumas exibidas pela primeira vez.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 16/04/2013 no jornal ‘Metrô News’.

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Foto: Lucas Malkut

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