Betty Milan tem instalação-poema na estação Paraíso do Metrô

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Obra de 1995, hoje malconservada, será restaurada

 

A paulistana Betty Milan (1944) é formada em medicina pela Universidade de São Paulo e especializou-se em psicanálise, na França, com Jacques Lacan (1901-1981). É autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro publicados no Brasil, França, Argentina e China. Foi colunista do jornal ‘Folha de S. Paulo’ e da revista ‘Veja’. A instalação-poema ‘O Paraíso’, que mede 3,5m por 6m, instalada em 1995 na estação Paraíso do Metrô paulistano, é de autoria dela.

O poema de Betty foi reproduzido acima de uma escadaria em uma parede azul inclinada, com letras feitas de chapa galvanizada pintada de dourado: “O paraíso / fez em Portugal a febre de navegar / fez o índio migrar do litoral para o poente / fez o imigrante largar da Europa e do Oriente / Quimera a que não se pode renunciar / o paraíso acaso será?”.

As obras do acervo permanente do Metrô são em geral realizadas em linguagens tradicionais das artes plásticas, como pintura, escultura e cerâmica. O trabalho de Betty é o único que reproduz um poema. As obras das estações também foram feitas predominantemente por artistas plásticos.

“No meu trabalho, a palavra é frequentemente tratada como imagem porque esta foi a maneira que eu encontrei de dar ênfase a ela, ou seja, fazer a palavra ser escutada. No mural do Paraíso, eu me questiono sobre o significado da palavra paraíso. A história do Brasil é indissociável da busca do paraíso, que, além de fazer o português largar de Portugal, provocou grandes migrações dos índios brasileiros. Pensei também nos meus ancestrais que imigraram do Líbano em busca do paraíso. No romance ‘O Papagaio e o Doutor’ eu trato disso de diferentes maneiras”, diz Betty.

“Durante muitos anos eu procurei só usar a palavra, evitando a imagem. Hoje eu não sou mais tão radical. Mas acho que precisamente por nos escutarmos menos do que devíamos, a intervenção com a palavra no espaço público é importante. Se atentássemos mais para as palavras, seríamos menos belicosos e mais solidários”, afirma.

O trabalho da estação Paraíso está malconservado, tanto com letras faltando quanto desalinhadas. Segundo Betty, a obra deve ser restaurada em breve: “Aproveitando esse restauro, será feita uma pequena modificação no tamanho das frases. Se tudo correr bem, ela deverá estar pronta em meados de maio. Nos restauros anteriores, as letras caíram, o que não ocorrerá mais”.

Betty é irmã de Denise Milan, autora da instalação ‘O Ventre da Vida’, que fica na estação Clínicas e foi feita em 1993 em parceria com Ary Perez. Dentre as cerca de 100 obras de arte permanentes instaladas em 37 das 64 estações, os trabalhos delas são os únicos realizados por artistas irmãos.

No site www2.uol.com.br/bettymilan há bastante conteúdo sobre a produção de Betty Milan.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 19/03/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Lucas Malkut

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