Arte fantástica de Mário Gruber em dose dupla

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‘Como Sempre Esteve, o Amanhã Está em Nossas Mãos’

 

As primeiras cinco obras de arte das estações do Metrô foram realizadas a partir de 1978 e 1979 para a Sé. Uma delas é ‘Como Sempre Esteve, o Amanhã Está em Nossas Mãos’, de Mário Gruber (1927-2011), pintura de 4,5m x 11m feita com tintas acrílica e vinílica sobre uma parede de concreto na plataforma central da estação. Além desse mural, ‘Arte na Linha’ aborda hoje uma exposição do artista na Caixa Cultural, na Praça da Sé.

No folder da inauguração da pintura, em 1987, há uma declaração de Gruber sobre ela: “Gostei de fazer esta obra por ter a consciência de que estava fazendo um trabalho sério e para o povo de minha cidade. É um trabalho que foi pensado para envolver o público em uma reflexão sobre a sua origem e história. O pêndulo branco separa duas épocas: o passado e o presente. As três mãos – a grande da espada, a do botão e a da pistola – bem como o branco, o negro e o imigrante, com seus braços, são os elementos principais desse mecanismo complexo, definidor da ação dos homens na construção de seu destino”.

É curioso o fato de o trabalho ter sido iniciado em 1979 e concluído somente em 1987. Por que o pintor empregou oito anos para fazê-lo? Quem responde é Lúcio Tamino, 30, neto de Gruber e também artista: “Acredito que isso ocorreu porque ele era meticuloso e pesquisou a fundo a técnica de pintura mural para realizar a obra. Viajou até para o México na época para estudar essa técnica. Antes, em 1953, conheceu o muralista mexicano Diego Rivera (1886-1957), que o influenciou não somente na técnica, mas principalmente pela forma de expressão e visão política, já que os dois foram comunistas. Outra questão que pode ter influenciado é que o Mário Gruber, assim como muitos outros artistas e intelectuais de esquerda, foi ameaçado de morte por um partido de extrema direita durante a execução do mural. Ele me relatou que em muitos momentos temeu pela sua vida enquanto fazia a obra, cada vez que um trem desembarcava na estação”.

No próximo sábado (dia 16/03/2013), às 11h, começa a primeira exposição póstuma do artista na cidade, chamada ‘A Arte Fantástica de Mário Gruber’, na Caixa Cultural (Praça da Sé, 111, tel. 3321-4400. Ter. a dom., 9h às 20h). Composta por pinturas, gravuras e matrizes, fica em cartaz até 12 de maio, com entrada franca.

Gruber, natural de Santos, viveu também em Paris, Nova York, Olinda e São Paulo (morreu em Cotia). É um dos pioneiros da corrente artística chamada de realismo fantástico, que alargou os horizontes do realismo tradicional ao utilizar elementos do sonho e da fantasia. Em mais de 60 anos de carreira, fez exposições em vários países e recebeu diversos prêmios. Trabalhou com artistas como Di Cavalcanti (1897-1976) e Candido Portinari (1903-1962). Também atuou como professor.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 12/03/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

2 Comentários

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2 Respostas para “Arte fantástica de Mário Gruber em dose dupla

  1. Thiago Rafael

    Passamos as vezes inúmeras vezes por esta obra prima e nem nos damos conta da importância que tem. Obrigado pela informação.

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