‘Figuras Entrelaçadas’ na estação Pedro II

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Obra de Antonio Cordeiro representa um abraço

 

Antonio Cordeiro (Guaxupé / MG, 1949 – Caraguatatuba / SP, 1991) é o autor da escultura ‘Figuras entrelaçadas’, trabalho em cerâmica do acervo de arte do Metrô de São Paulo que fica exposto na estação Pedro II (Linha 3 – Vermelha). A obra, datada de 1990, foi exibida em 1992 em uma homenagem póstuma ao artista no Masp (Museu de Arte de São Paulo). Em seguida, doada pela família dele, ela foi transferida para a estação.

Em ‘Figuras entrelaçadas’, duas formas orgânicas se enlaçam como em um terno abraço. Embora abstrata, a escultura de 1,72 m de altura remete a dois corpos humanos abraçados e sugere sensualidade por meio da representação desse momento de contato físico. Os tons naturais da argila ganharam brilho no processo de queima da peça, contribuindo para a delicadeza da composição.

Cordeiro iniciou a carreira como artesão no início dos anos 1970, trabalhando com couro, metal e madeira. Em 1975, participou do grupo pioneiro de cerâmica de alta temperatura instalado no antigo matadouro de Cunha (SP).

O ceramista morreu em um acidente de moto em 1991. Ele passou os últimos oito anos de vida em Caraguatatuba (SP), cidade onde tem duas obras públicas: um mural na Câmara Municipal (feito em parceria com Antonio Carelli e Sandra Mendes) e uma escultura em frente ao Museu de Arte Contemporânea da cidade. Cordeiro ficou conhecido como “o primeiro ceramista de Caraguatatuba”.

Em 2011, obras dele integraram a exposição coletiva “Pioneiros da cerâmica em terras de Cunha – Caminhos e fronteiras”, realizada no Palácio do Horto, em São Paulo (SP). No site do Memorial da Cerâmica de Cunha, http://www.mecc.art.br, na seção ‘Os artistas da base histórica’, há um espaço dedicado a ele, no qual é possível ver algumas imagens de obras do ceramista.

No livro ‘Arte no Metrô’, de Enock Sacramento, há um texto de autoria do escritor Flávio Girão Carvalho sobre o artista: “Antonio Cordeiro é a saga do homem tocado pela paixão. Joga-se inteiro como hippie, artesão, operário do fazer ceramista. Desconhece a prudência do meio-termo, a precaução do resguardo. A terra, a água, o ar e o fogo, sua alquimia, sua febre, sua ternura, seu deslumbre. Ao amassar o barro, amalgama-se à argila, ao tocá-lo, torneia-se; ao queimá-lo, arde-se na matéria-prima. Todas as suas vidas sangram-se na revelação da forma, textura e cor, sonho tecido de sonhos”.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 15/01/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Everaldo Fioravante

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