Experiência de desfrutar de obras de arte

 Marcello-Nitsche-blog

Escultura de Marcello Nitsche no Parque da Luz

 

Na semana passada, ‘Arte na Linha’ tratou de ‘fruição’, o “ato de aproveitar satisfatória e prazerosamente alguma coisa”. Foi abordado o desfrutar das obras de arte das estações do Metrô paulistano. Aproveitando o tema, hoje escrevo sobre a minha experiência como fruidor.

A primeira vez em que percebi que estava em êxtase diante de obras de arte, em estado de contemplação, foi numa experiência ao ar livre, mais de dez anos atrás, no Parque da Luz, vendo as esculturas do acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo expostas no local. Além de serem obras monumentais feitas em diferentes materiais e com temáticas variadas, fui atraído pela disposição delas em meio a árvores e também pela maneira diferente como o sol incide sobre as obras de acordo com o horário. Meu sentimento foi de prazer com a integração da arte com a natureza, sensação distinta de uma visita a museu.

A partir daí, comecei a prestar mais atenção em como me identifico e me relaciono com obras de arte. Inesquecível foi a exposição de Ismael Nery (1900-1934), no ano 2000, na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Me emocionei com as pinturas melancólicas e misteriosas de Ismael Nery, obras fascinantes que ganharam ainda mais força com a bela iluminação da mostra, um tanto sombria.

Outro momento especial de “êxtase artístico” foi com os trabalhos de Fra Angelico (1387-1455) no convento de San Marco, em Florença, na Itália. Ele pintou afrescos em vários ambientes do convento (cenas religiosas). Fiquei impressionado com a potência do trabalho do artista renascentista, as qualidades técnicas e expressivas e a delicadeza dos traços.

Por fim, falo de uma experiência decepcionante com a ‘Mona Lisa’, a obra-prima de Leonardo da Vinci (1452-1519) exposta no Museu do Louvre, em Paris, na França. É a pintura que todos querem ver, mas isso não costuma ser fácil. Sempre há muitas pessoas apreciando a obra no museu. Os espectadores amontoam-se diante dela, movimentando-se de um lado para o outro, sem parar, o que acaba atrapalhando a fruição. A ‘Mona Lisa’, com a qual todos um dia já flertaram com o olhar e sorriso enigmáticos, é um dos mais difundidos convites do mundo à fruição. Estar diante dela e não conseguir desfrutar, portanto, foi triste.

Em relação às cerca de 100 obras das estações do Metrô paulistano, a dica ao espectador é que, diante de uma delas, ele reserve um instante para apreciá-la. Ao prestar atenção em um trabalho artístico, ele pode passar muito mais mensagens do que aquelas transmitidas a olhares apressados.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 08/01/2013 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Monica Yamagawa / Moyarte

2 Comentários

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2 Respostas para “Experiência de desfrutar de obras de arte

  1. Everaldo, gostei do texto. Para mim, a experiência decepcionante com a Mona Lisa está relacionada ao fato de ser uma obra midiática. Todos querem ver o que a mídia “ilumina”, mas ninguém enxerga a obra. Os holofotes ofuscam a fruição.
    abs,
    Helder

    • Helder Lima, em relação à Mona Lisa, você disse muito bem: os holofotes ofuscam a fruição. Aproveito e agradeço publicamente a você, Mauro Fernando e Melina Dias por me estimularem na criação do blog e pelos papos sobre colunas de jornais. Um abraço!

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