Uma história sobre Alfredo Ceschiatti e Oscar Niemeyer

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Ceschiatti é autor de escultura da estação Sé

 

‘Arte na Linha’ de hoje destaca o artista Alfredo Ceschiatti (Belo Horizonte / MG, 1918 – Rio de Janeiro / RJ, 1989) e uma escultura dele instalada na estação Sé do Metrô paulistano. Aproveitando o assunto, há também espaço para um pouco da história do arquiteto Oscar Niemeyer (Rio de Janeiro / RJ; 1907-2012), gênio que o Brasil perdeu neste mês.
Filho de italianos, Ceschiatti viaja à Itália em 1938 e se interessa principalmente por arte renascentista. Em 1940, ingressa na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio. Em seguida, é convidado diversas vezes por Niemeyer para criar obras de arte para projetos arquitetônicos dele – a primeira delas em 1944, um baixo-relevo em bronze do batistério da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte. Por essa obra, no ano seguinte, o artista conquista o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Belas Artes. Permanece então na Europa de 1946 a 1948, entrando em contato com o trabalho de escultores locais.
Ceschiatti fez esculturas para diversos espaços públicos brasileiros, boa parte para edifícios projetados por Niemeyer. Para Brasília (DF), ele criou ‘As banhistas’ (Palácio da Alvorada), ‘A justiça’ (Supremo Tribunal Federal), ‘Os anjos’ e ‘Os evangelistas’ (Catedral), ‘As gêmeas’ (Palácio do Itamaraty), ‘Anjo’ (Câmara dos Deputados), ‘A contorcionista’ (Teatro Cláudio Santoro) e ‘Duas irmãs’ (Palácio dos Arcos). Também tem esculturas em outras cidades, como São Paulo (Memorial da América Latina) e Rio de Janeiro (Parque do Flamengo).
Na estação Sé há uma escultura dele (‘Sem título’) de 1978, em bronze, a qual integra o primeiro conjunto de obras instaladas nas estações do Metrô de São Paulo. O trabalho representa uma figura feminina de formas curvilíneas, arredondadas. Do “vestido” dela, vale destacar a impressão criada de um sutil movimento do “tecido”. Esculturas com essas características são comuns na carreira do artista.
Ceschiatti participou da Bienal de São Paulo em 1953 e 1955 e de várias outras importantes exposição. Lecionou escultura e desenho na UnB (Universidade de Brasília) entre 1963 e 1965.
No livro recém-lançado ‘Arte no Metrô’, de autoria de Enock Sacramento, há uma declaração de Niemeyer sobre o escultor: “Como dois bons amigos, vamos caminhando pela vida. Eu, absorvido pela arquitetura, inventando formas, brincando com o concreto armado; ele, a fazer suas esculturas. Essas mulheres lindas, barrocas, cheias de curvas. Como gosto de vê-las!”. Uma “mulher” dessas de Ceschiatti é a da Sé, local que conta ainda com diversas obras de arte de outros artistas, tanto na estação quanto na praça.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 18/12/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Everaldo Fioravante

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