Cícero Dias e sua alegria colorida

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Painel abstrato-geométrico é um presente para os olhos

 

Um menino de engenho pernambucano que se tornou grande pintor, chamado Cícero Dias (1907-2003), é o tema de hoje de ‘Arte na Linha’. Ele é o autor da obra ‘Cores e formas’, instalada na estação Brigadeiro do Metrô (Linha 2 – Verde), na parede em frente à plataforma sentido Vila Prudente. O painel abstrato-geométrico, de 1991, medindo 2 m x 20 m, foi feito por meio de pintura a revólver sobre lajotas de cerâmica de 0,50 m x 0,50 m cada.
Cícero pintou uma série de elementos geométricos de traços retos (quadriláteros e polígonos) de diferentes cores. A disposição deles sobre um grande plano branco não segue um rigor matemático – ao contrário, remete a certa aleatoriedade. Eles têm posições livres, indefinidas.
A obra transmite certa leveza por conta da maneira como foram organizadas as formas e também devido ao uso das cores. É transmitida também uma impressão de delicado movimento – as formas parecem se mexer. O painel apresenta um belo e delicado efeito visual: uma alegria colorida em meio ao cinza do concreto da estação. É um presente para os olhos.
No recém-lançado livro ‘Arte no Metrô’, de autoria de Enock Sacramento, há uma declaração de Cícero sobre o gênero no qual se enquadra a obra da estação Brigadeiro: “A abstração geométrica atende ao meu lado espiritual.”
Cícero nasceu na Zona da Mata pernambucana, no Engenho Jundiá, município de Escada. A adolescência foi passada no Rio de Janeiro. Em 1928, iniciou a carreira artística – dedicou-se a ela até 1999. Foi primeiro figurativo, depois abstrato e ainda voltou ao figurativismo – em determinado período da trajetória, trabalhou as duas vertentes.
Em 1937, devido a problemas políticos (Estado Novo), mudou-se para Paris (França) e participou intensamente da vida cultural local. Em 1942, foi preso pelos nazistas e enviado a um campo de concentração. Morou entre 1943 e 1945 em Lisboa (Portugal) para depois retornar à capital francesa, aonde morreu, aos 95 anos. Embora tenha passado a vida no exterior, nunca perdeu as raízes brasileiras. Sua pintura tem muito do Brasil, dos temas e das cores do nosso país. Importante nome da arte do século 20, foi um homem de vanguarda, um artista experimentador.
Foi amigo do pintor espanhol Pablo Picasso, que batizou sua única filha. Também era próximo do poeta francês Paul Éluard, de quem foi o guardião do poema ‘Liberté’, que teve cópias lançadas por aviões sobre a França ocupada da Segunda Guerra.
A estação Brigadeiro conta com outro painel: ‘Des-aceleração’, de Fernando Lemos (1926), artista português radicado no Brasil há cerca de 60 anos. A obra dele será destacada em breve aqui em ‘Arte na Linha’.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 04/12/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Everaldo Fioravante

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