Gontran Guanaes de Leste a Oeste

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Inclusão de Arafat em obra na Mal. Deodoro causou polêmica

 

O tema de hoje de ‘Arte na Linha’ é Gontran Guanaes Netto (Vera Cruz/SP; 1933), autor das obras das estações Marechal Deodoro, na zona Oeste, e Corinthians-Itaquera do Metrô, na Linha 3 – Vermelha, na Zona Leste. A produção artística dele é marcada pelo apelo social, característica evidente nos painéis das duas estações.

Em 1989, comemorava-se o bicentenário da Revolução Francesa (conjunto de acontecimentos que alteraram o quadro político e social francês e também mundial de 1789 a 1799, quando foram proclamados os princípios universais de ‘Liberdade, Igualdade e Fraternidade’). Então, em 1989, Gontran propôs ao Metrô a realização de pinturas tendo como tema os brasileiros, a liberdade e os direitos humanos.

Aprovada a proposta, o artista instalou um ateliê improvisado ao lado da estação Marechal Deodoro e começou a pintar as obras para ela – ‘Aspectos das Populações Brasileiras’ (I, II e III), ‘Traços das Populações Brasileiras’, ‘Marianne’ (I e II) e ‘Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão’.

Esse último painel é dividido em três partes. No meio, reproduz o texto original (em francês) dos artigos da ‘Declaração’. Nas laterais, Gontran retratou rostos de figuras históricas (boa parte perseguida, presa, torturada ou morta devido a posicionamentos políticos), como o ambientalista Chico Mendes, o líder comunista Luís Carlos Prestes e sua mulher, Olga Benário, e o líder sul–africano Nelson Mandela.

Junto aos personagens históricos, Gontran retratou, pessoalmente e por meio de fotos, transeuntes que passavam pelo ateliê ao lado da estação, interagindo com o público. Enquanto realizava as pinturas, ele conheceu no local Adriana Madeira, que tornou-se mãe de seu quarto filho, Gabriel.

Criado quatro anos depois do fim da ditadura militar, o painel apresenta também imagens de rostos de anônimos desaparecidos durante o regime. O próprio Gontran foi preso pela ditadura e exilado na França por quase 20 anos.

No ano passado, o artista restaurou esse e os demais painéis da estação e criou uma polêmica. Junto aos retratados na pintura em questão, ele incluiu o rosto do líder palestino Yasser Arafat. Como a Estação Marechal Deodoro fica perto do bairro Higienópolis, de população predominantemente judaica, a inclusão da imagem de Arafat foi interpretada como provocação.

Entre 1989 e 1990, para a Estação Corinthians–Itaquera, Gontran fez 10 painéis intitulados ‘A Catedral do Povo’. São grandes pinturas medindo em média 2 m x 12 m cada. Ele pintou, por exemplo, representações de rostos, mãos e pés (separados, em diferentes obras) e também paisagens.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 27/11/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Everaldo Fioravante

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