‘América Latina’ de Sérgio Ferro fica na estação Vila Prudente

vila-prudente-_-blog

Obra de Sérgio Ferro mostra preocupação política

 

Os painéis ‘Cenas e sonhos latino-americanos (I e II)’, do pintor, desenhista, arquiteto e professor curitibano Sérgio Ferro (1938), foram instalados em 1990 em uma galeria subterrânea entre a estação Barra Funda do Metrô e o Memorial da América Latina. Lá, sofreram vandalismo, seja pela proximidade com as pessoas como, provavelmente, também pelo teor político deles. Em meados dos anos 1990, foram então retirados e guardados no Memorial. Entre 2001 e 2002, foram restaurados e armazenados na estação São Bento. E, em agosto de 2010, ganharam um novo lar: na estação Vila Prudente.

Sérgio Ferro utilizou vários tipos de materiais na criação dos painéis (murais), desde pintura sobre tela até vidro, cordas e madeira. Tem até marreta, pá, colher de pedreiro, cavadeira e picareta fixadas na parede. As obras, que medem 1,95 m x 27 m cada, tratam da evolução da América Latina – os povos, os problemas, as lutas e as conquistas. Trazem representações de escravos e de povos oprimidos. Os instrumentos de trabalho remetem à construção de um futuro melhor.

O artista também reproduziu um poema de Regina Morganti: ‘Só queríamos / murmurar / que somos aterradores / imersos na dor gigante /- os imensos mestiços – / oriundos da febre-fome (feios) / queríamos / – os brasileiros – / re-tomar / re-habitar / re-Cuba-perar / o capim original…/ e os tamancos da liberdade / (dos pés ?) / e os pés de jasmim-do-cabo / ao cabo de cada instante…’

Há ainda a reprodução de um trecho de uma poesia do livro ‘Canto geral’, de Pablo Neruda: ‘Tierra mía sin nombre / sin América / estambre equinoccial / lanza de purpura….’ Na tradução desse trecho para a Língua Portuguesa feita por Paulo Mendes Campos, ‘Terra minha sem nome / sem América / estame equinocial / lança de púrpura’.

A preocupação social e política, evidente nos painéis, marca a história de Sérgio Ferro. Ele integrou a Aliança Libertadora Nacional (dissidência armada do PCB – Partido Comunista Brasileiro) e, em 1968, foi um dos três autores do atentado a bomba no subsolo do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, que pretendia atingir a biblioteca do Usis (United States Information Service) – serviço de informação dos EUA – e o consulado norte-americano, no prédio. O artista foi preso e torturado durante o regime militar (1964-1985). Por causa da ditadura, mudou-se para a França em 1972, aonde está até hoje.

Em resposta a email enviado com perguntas sobre os painéis para a elaboração desse texto, Sérgio Ferro escreveu: “Caro, além do que você já sabe sobre o meu mural, tenho somente a acrescentar que ele foi maravilhosamente bem restaurado pelo Mestre Olandim (Cezar Roberto Olandim).”

|

Texto de Everaldo Fioravante publicado em 06/11/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s