‘Esfera’ de Marcos Garrot na estação Santos-Imigrantes

santosimigrantes MarcosGarrot blog

Percepções da obra variam conforme o ângulo de visão

 

O tema de hoje de ‘Arte na Linha’ é a ‘Esfera’ criada em 2009 para a plataforma da estação Santos-Imigrantes do Metrô por Marcos Garrot (São Paulo / SP, 1965). É uma escultura de 2m de diâmetro feita com nove chapas de ferro, de diferentes tamanhos, interpostas. O formato é circular, mas de cada uma foi retirada uma parte – como uma fatia de pizza. As chapas foram pintadas de um lado em um tom de alaranjado e do outro em marrom escuro, gerando um contraste entre claro e escuro. Foram alinhadas, por meio de um eixo, uma ao lado da outra. Há espaços vazios simétricos entre elas. No meio do eixo estão as chapas maiores; do centro para as pontas, o tamanho delas diminui.

O jogo visual criado com os diferentes tamanhos dos círculos (chapas), os vazios entre eles, o alinhamento e as cores geram ilusão de ótica. Parece que a obra tem movimento, mesmo sendo rígida e estática. É o tipo de escultura que o espectador deve girar em torno dela para, assim, observar as diferentes percepções visuais que ela apresenta dependendo do ângulo em que é vista.

“Quando criei a obra, pensei nas pessoas que caminham pela plataforma, que podem vê-la de perto, e também naquelas que passam dentro do trem: quando o trem chega na estação, elas veem uma cor da obra; quando passam em frente a ela, veem o vazio; e se olharem para trás, com o trem partindo, veem a outra cor”, diz o artista.

As primeiras experiências artísticas de Marcos Garrot foram nos anos 1980 como desenhista e pintor figurativo, dedicado sobretudo à representação da figura humana. No final dos anos 1990, começou a explorar as formas geométricas, realizando esculturas construtivas, com características da optical art (arte ótica). Passou a utilizar conceitos matemáticos como simetria, translação, rotação e reflexão na criação das obras.

Para realizar o trabalho da estação Santos-Imigrantes, Garrot apresentou o projeto ao Metrô e, após aprovado, o artista teve de utilizar a lei de incentivo à cultura por meio de renúncia fiscal (Lei Rouanet) e buscar patrocínios (obtidos com as empresas Paranoá e Gocil Segurança e Serviços). O processo ao todo demorou três anos.

Até o dia 30 de setembro de 2012, o Metrô recebeu inscrições para a criação de novas obras para as estações, mas desta vez Garrot não quis se inscrever. Segundo ele, o processo lento para a realização das obras e o fato de ter de buscar patrocínio o desanimaram. Como exemplo, enquanto o processo para ele fazer o trabalho para a estação Santos-Imigrantes demorou três anos, uma nova obra dele para um condomínio comercial, na esquina das ruas Sena Madureira e Domingos de Morais, perto do Metrô Vila Mariana, foi realizada em 40 dias – ela será inaugurada em breve. “Passei o valor da obra para a construtora, ela me pagou e desta maneira o trabalho foi feito rapidamente”, afirma Garrot.

|

Texto de Everaldo Fioravante publicado em 02/10/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Everaldo Fioravante

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s