Maurício Nogueira Lima nas estações Santana e São Bento

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Geometria ‘dialoga’ com movimento das pessoas

 

Em vez de falar, como de costume, das obras de arte de uma determinada estação do Metrô, hoje ‘Arte na Linha’ destaca um artista: Maurício Nogueira Lima (Recife/PE, 1930; Campinas/SP, 1999), que tem obras nas estações Santana e São Bento.

Para Santana, ele fez um grande painel em 1990 – pintura em tinta acqua-cryl sobre placas de fibrocimento. É uma composição de formas geométricas em cores vibrantes associadas a tons médios e suaves. O colorido da obra funciona como uma ruptura da densidade de cinza (paredes) e de preto (piso de borracha) do interior da estação.

Na pintura, a disposição dos elementos geométricos em diferentes cores e tons gera um efeito ótico que transmite impressão de movimento. Ela combinou perfeitamente com os locais em que está instalada. O movimento sugerido pela obra dialoga com a grande circulação de pessoas.

Na estação São Bento segue nesta mesma linha. Também é composto por planos cromáticos de formas geométricas que sugerem movimento. É uma pintura de 1990 feita sobre a parede de concreto com tinta acqua-cryl. Fica em um dos acessos à estação. Vale notar que há um diálogo entre a geometria da obra e a dos degraus das escadas do acesso.

Maurício Nogueira Lima foi pintor, arquiteto, artista gráfico e professor. Estudou Artes Plásticas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) entre 1947 e 1950. Frequentou cursos de comunicação visual, desenho industrial e propaganda no Masp, em 1951. Em 1953, entrou para o Grupo Ruptura, marco inicial do concretismo no Brasil, movimento marcado pela exploração da geometria, entre outras características. Ainda na década de 1950, estudou Arquitetura na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A partir de 1974, Maurício começou a dar aulas. Lecionou, por exemplo, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), onde concluiu mestrado e doutorado em Estruturas Ambientais Urbanas. Nos anos 1980 e 1990, fez vários trabalhos de arte em espaços públicos de São Paulo (SP), entre eles a pintura na lateral do Edifício Capemi (no largo São Bento, vizinho à estação do Metrô de mesmo nome).

Por fim, vale mencionar que as estações Santana e São Bento também contam com obras de Odiléa Toscano (São Bernardo do Campo/SP; 1934), artista que ainda tem trabalhos nas estações Paraíso e Jabaquara. Odiléa será tema de ‘Arte na Linha’ em breve.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 04/09/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Everaldo Fioravante

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