Geometria, cores, pedras e luz na estação Clínicas

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Geraldo de Barros é o autor de ‘Jogo de dados’

 

‘Arte na Linha’ para hoje na estação Clínicas do Metrô, onde há duas obras de arte permanentes, uma do paulista Geraldo de Barros (1923-1998) e outra da paulistana Denise Milan (1954). Logo após ultrapassar as catracas para embarcar, os usuários da estação deparam-se com o ‘Jogo de dados’ de Geraldo de Barros. São três painéis, de 1991, em formato de hexágono regular (polígono com seis lados iguais), dispostos em uma parede branca de 21,70m.

São colagens (laminado plástico) com figuras geométricas. Cada trabalho tem três cores: um é verde, azul e rosa; outro é vermelho, azul e amarelo; e um é branco, preto e cinza. Com o uso da geometria e das cores, foram criados efeitos de tridimensionalidade no suporte bidimensional: o suporte é plano, mas a composição sugere profundidade e, assim, vemos cubos, os ‘dados’ do título da obra.

Geraldo de Barros foi um artista versátil e de ideias pioneiras. Entre 1946 e 1951, fez a série ‘Fotoformas’: intervenções em negativos fotográficos, os quais cortava, pintava e perfurava, além de sobrepor imagens, explorando a abstração e a geometria. Ainda nos anos 1950, foi um dos fundadores do Grupo Ruptura, marco inicial do concretismo no Brasil, movimento marcado pela utilização da geometria, entre outras características. Nos anos 1960, junto a outros cinco artistas, formou em São Paulo (SP) o grupo vanguardista Rex. Marcado pela irreverência, humor e crítica ao sistema de arte, o grupo durou pouco tempo mas foi de grande importância para a história da arte brasileira. Ao longo da carreira, Geraldo de Barros atuou ainda como artista gráfico e designer de móveis.

A outra obra da estação Clínicas é ‘O ventre da vida’, de Denise Milan, artista de carreira internacional. O trabalho foi feito em parceria com Ary Perez em 1993. É um desdobramento de uma instalação, também com coautoria de Perez, exibida na 21ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1991.

A obra tem 1,50 m de diâmetro e fica no corredor de acesso ao Hospital das Clínicas. Dentro de um buraco na parede, tampado com vidro e iluminado, é possível ver brilhantes pedras (cristais de quartzo) de vários tamanhos. ‘O ventre da vida’ ganhou um poema de Haroldo de Campos: ‘O sol das entranhas/rebenta /no ventre da vida/na calota urbana/acesso ao mundo subterrâneo’.

O uso das pedras e da luz é frequente na carreira de Denise Milan. A arte pública é outro de seus interesses. Em parceria com Ary Perez, ela criou diversos trabalhos deste gênero em São Paulo (SP), entre eles ‘Drusa’ (Vale do Anhangabaú) e ‘Sectiones Mundi’ (Jardim das Esculturas do MAM – Museu de Arte Moderna).

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 28/08/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

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