Liberdade com arte

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Obra do artista Oscar Oiwa

 

‘Arte na Linha’ desembarca hoje no tradicional bairro ‘oriental’ da cidade, na estação Liberdade do Metrô. Ela tem 11 obras: duas de artistas japoneses e nove de brasileiros de origem japonesa (sete deles paulistanos). São pinturas, todas no formato 1,80 m x 1,15 m, feitas em comemoração aos 80 anos da imigração japonesa no Brasil, em 1988. Estão expostas em duas paredes do mezanino da estação. São duas obras figurativas e nove abstratas. Arte figurativa é aquela que representa objetos e figuras. Já a arte abstrata explora as formas e as cores sem simbolizar elementos reais.
Uma das obras figurativas é ‘O imigrante (O primeiro a desembarcar)!!!’, de Oscar Oiwa (1965), artista paulistano radicado em Nova York (EUA), filho de japoneses. O trabalho, em tons escuros e metálicos, representa somente bagagens no interior de um navio, sem figuras humanas. É uma bagagem anônima à espera de ser levada à terra firme. Nas malas, além de meros objetos pessoais, há uma cultura, um passado e a esperança de prosperidade no novo país.
A outra obra figurativa é ‘Pós-80’, de Hironobu Kai (Japão; 1955), trabalho que explora os tons escuros e apresenta um céu estrelado e o mar com navios – referência à imigração. Na borda inferior da pintura tem três embarcações; na parte superior, um outro navio foi pintado invertido, de cabeça para baixo, remetendo ao fato de Brasil e Japão estarem em extremos opostos do planeta, cada um de um lado da Terra. No centro da tela, uma fileira de navios como que separando o mundo e as culturas.
Os japoneses imigrantes deixaram sua marca na sociedade brasileira e, também, nas artes plásticas, área em que se destacaram principalmente no abstracionismo. São nomes como Manabu Mabe (1924-1997), Tikashi Fukushima (1920-2001), Tomie Ohtake (1913) e Kazuo Wakabayashi (1931), entre outros. Dada a força da colônia japonesa no abstracionismo, fica fácil entender o porquê de nove das 11 obras da estação Liberdade do Metrô seguirem esta linha.
Uma das obras abstratas é ‘Projeto para uma paixão sem fim’, do paulistano Milton Terumitsu Sogabe (1953). São riscos retos de 1 cm, em uma sobreposição de planos sem fim, demonstrando a habilidade e a disciplina japonesas. Já ‘Paralelepípedo’, do paulista Mário Noboru Ishikawa (1944), faz pensar na questão sobre o que é figurativo e o que é abstrato. É uma composição que brinca com o claro e o escuro (preto sobre branco) e traz uma imagem a princípio abstrata mas que representa um paralelepípedo (um objeto).
A lista de pinturas da estação Liberdade é completada com trabalhos dos nipobrasileiros Ayao Okamoto, Laerte Yoshiro Orui, Yae Takeda, Carlos Alberto Yasoshima, Hisae Sugishita, Lúcio Yutaka Kume e do japonês Toshifumi Nakano.
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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 07/08/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

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