‘Quatro Estações’ de Tomie Ohtake na Consolação

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O mosaico abstrato é feito de pastilhas vitrificadas

 

‘Arte na Linha’ fala hoje sobre a obra permanente da estação Consolação do Metrô, de autoria da artista plástica nipobrasileira Tomie Ohtake, de 98 anos. O trabalho, chamado ‘Quatro Estações’ (1991), em mosaico, conta com quatro painéis de 15,40m de comprimento por 2m de altura cada.
“Quando fui convidada para fazer esta obra, achei que deveria trabalhar sobre uma mesma composição, com cores diferentes. Então pensei em quatro painéis que seriam como as cores das quatro estações do ano”, disse Tomie. “Ela foi realizada como se a textura fosse de pintura, executada em pastilhas vitrificadas da Vidrotil.”
A artista reproduziu as mesmas formas abstratas – desenho – nos quatro painéis, mas em diferentes cores, cada uma simbolizando uma estação do ano: verde (primavera), amarelo (verão), marrom (outono) e azul (inverno).
“Recentemente visitei a estação e fiquei muito contente porque muitas pessoas passam por ela. Ter uma obra dedicada à população é a maior satisfação que o artista pode ter, pois temos a esperança de que a arte possa trazer algo diferente para o cotidiano das pessoas”, falou Tomie. O trabalho fica na plataforma sentido Vila Prudente da estação.
Nascida no Japão, em Kyoto, em 21 de novembro de 1913, a artista veio para o Brasil em 1936, radicando-se em São Paulo. Em 1968, naturalizou-se brasileira. Pintora, gravurista e escultora, é um dos mais importantes nomes da arte brasileira.
No bairro de Pinheiros, próximo da estação Faria Lima do Metrô, um importante espaço cultural da cidade leva o nome da artista: Instituto Tomie Ohtake (Avenida Faria Lima, 201, entrada pela Rua Coropés; tel. 2245-1900; visitação de ter. a dom., das 11h às 20h; http://www.institutotomieohtake.org.br). A programação de exposições do espaço, de alta qualidade, tem entrada franca. O imponente edifício que abriga o instituto foi projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake, filho da artista.
Próximo da estação Vergueiro do Metrô tem outra obra de Tomie, intitulada ‘Monumento das ondas’ (1988), uma homenagem aos 80 anos da imigração japonesa no Brasil. O trabalho, que fica no canteiro central da Av. 23 de Maio, na altura do Centro Cultural São Paulo, é formado por quatro faixas de concreto, de 12m, representando as gerações de japoneses no Brasil, desde os primeiros imigrantes até os descendentes.
No início de carreira, Tomie fazia arte figurativa, mas depois optou pelo abstracionismo. Em 1953, entrou para o grupo Seibi, formado em São Paulo por artistas japoneses. Ela participou de sete edições da Bienal Internacional de Arte de São Paulo (1961, 1963, 1965, 1967, 1989, 1996 e 1998) e também da Bienal de Veneza (1972). Entre as premiações recebidas por ela figuram o Prêmio Itamaraty (1967), da Bienal de São Paulo, e dois de ‘Melhor Pintor’ da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA (1974 e 1979). A artista criou ao longo da carreira 36 obras de arte públicas.
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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 31/07/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

1 comentário

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Uma resposta para “‘Quatro Estações’ de Tomie Ohtake na Consolação

  1. A percepção destas imagens pelo observador estático e em movimento no trem traz a lembrança da teoria da relatividade de Einstein pois aquele objeto fora feito com esta intensão: de mudar conforme a posição do sujeito que o vê de frente, de lado, parado, andando e em movimento rápido, etc…

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