As artes do Metrô República

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Obras de Peticov em homenagem a Oswald de Andrade

 

‘Arte na Linha’ de hoje é sobre a estação República do Metrô, que tem cinco obras, como ‘Momento antropofágico com Oswald de Andrade’ (1990), de Antonio Peticov, trabalho de grande dimensão em homenagem a Oswald de Andrade (1890-1954), agitador cultural do Modernismo brasileiro e autor de dois manifestos: ‘Poesia Pau-Brasil’ e ‘Antropofágico’. A proposta do escritor era de não negar a cultura estrangeira, mas também não imitá-la. A ideia era ‘deglutir’ os pensamentos do exterior e os unir aos nacionais.

“Quando fui convidado para fazer a obra, percorri as estações do Metrô em busca de uma parede interessante. A opção pela República levou em conta também a vida de Oswald, a ligação dele com o Centro da cidade”, diz Peticov. Na obra, ele representou uma mulher e um homem, em ladrilhos, em branco e preto, uma figura de cada lado. Vistas de frente, são formas distorcidas. É preciso olhar das extremidades para vê-las sem distorção. A técnica usada é a anamorfose (correção de forma). As imagens são de anúncio do Café Paraventi no jornal ‘O Homem do Povo’, de Oswald e Patrícia Galvão, a Pagu.

Entre as figuras há um totem cilindrico em aço inox e pau-brasil. No teto, uma grande pintura (preto sobre fundo branco), também distorcida. Por meio de iluminação, ela é refletida sobre o aço e gera uma pequena imagem de Oswald, sem distorção. O trabalho tem ainda representações como a que remete à pintura ‘Abaporu’, símbolo do Modernismo brasileiro, de Tarsila do Amaral (1886-1973), que foi mulher de Oswald – o quadro foi presente de aniversário dela a ele.

Peticov idealizou um painel explicativo para ser feito em frente ao ‘Momento antropofágico…’. “Falta o dinheiro, uns R$ 100 mil, valor no qual também está o restauro da própria obra. Faz três anos que busco patrocinador.” O artista também tem uma pintura sobre parede na estação Santo Amaro da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Outras obras da República são ‘Século XXI – Resíduos e Vestígios’, monumentais esculturas de ferro de Luiz Hermano. Elas remetem às entranhas da gigantesca construção que é a estação. “Os trabalhos mostram como é a estrutura do concreto armado sem a massa. São esqueletos de ferro, complemento à arquitetura, ornamento de um canto obsoleto”, afirma o artista. As obras ficam suspensas em cantos da estação.

Três outros trabalhos completam a lista da República: ‘Século XXI – Resíduos e Vestígios – Luz da Matéria’, de Xico Chaves, pintura e aplicação de materiais sobre fibra de vidro e sobre concreto em quatro colunas da estação; ‘Século XXI – Resíduos e Vestígios – Cápsula’, de Bené Fonteles, instalação com seixos rolados, corais marinhos, cocho de madeira e cerâmica exibidos em uma vitrina iluminada; e ‘Século XXI – Grande Cocar’, de Roberto Mícoli, grande e colorida estrutura suspensa ondulada.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 24/07/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: Divulgação

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