Estação da Luz rodeada com arte

Luz-_-Andre-Deak-_-blog

Obra de Maria Bonomi tem três camadas de cores

 

‘Arte na Linha’ destaca hoje duas obras da centenária Estação da Luz, mas antes fala um pouco da história dela própria. Cartão postal de São Paulo, a estação foi aberta ao público em 1901. Ela tem grande importância histórica. Foi porta de entrada para os imigrantes. Por ela passava o café vindo do Interior em direção ao porto de Santos (para exportação) e nela chegavam os produtos importados que abasteciam a cidade – ainda pouco industrializada. Seu projeto arquitetônico, do inglês Charles Henry Driver, foi erguido com uma série de materiais trazidos da Inglaterra, como a estrutura de ferro fundido que a sustenta. Ao longo dos anos, a estação passou por reformas e adaptações. Hoje conta com linhas do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Uma das obras de arte da estação é da artista ítalo-brasileira Maria Bonomi. Outra, da francesa Françoise Schein. Uma característica comum aos trabalhos é que ambos foram feitos de forma coletiva, em processos criativos envolvendo diversas pessoas. Filha de mãe brasileira e pai italiano, Maria Bonomi nasceu na Itália, em 1935. Ainda menina, em 1946, chegou ao Brasil e passou pela Estação da Luz, onde quase 60 anos depois, em 2004, inaugurou a obra ‘Epopeia Paulista’. É um painel de cerca de 70m de comprimento e 30cm de espessura, formado por 150 placas de concreto e localizado na galeria subterrânea de conexão entre a CPTM e o Metrô. ‘Epopéia Paulista’ foi feita por meio de um trabalho coletivo que reuniu cerca de 2 mil colaboradores, sendo artistas e artistas-voluntários, de crianças à terceira idade. A obra faz referências, por exemplo, aos imigrantes e aos migrantes nordestinos.

A obra tem três camadas escalonadas (de cimento branco estrutural), cada uma com texturas e cores diferentes: “Vermelho, da terra própria para o (plantio de) café; amarelo, da terra calcinada do sertão semiárido; e branco, como um papel para desenhar o futuro”, conforme escrito em um dos textos do livro da Editora Mandarim que registrou a criação da obra.

O outro trabalho da estação Luz é ‘Inscrever os Direitos Humanos na Estação Luz do Metrô’, da francesa Françoise Schein, de 2010. É um trabalho em pintura sobre azulejos baseado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. A obra foi desenvolvida coletivamente, com a participação de jovens da cidade.

Vale dizer que o Museu da Língua Portuguesa fica na Estação da Luz e nas imediações há uma série de espaços culturais, como a Sala São Paulo, a Pinacoteca do Estado e a Estação Pinacoteca.

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Texto de Everaldo Fioravante publicado em 17/07/2012 no jornal ‘Metrô News’.

Foto: André Deak

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